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POEMAS |
eu só desejo a morte a morte eu desejo a mim mesmo com todo ensejo sofro da pior das doenças... seria realmente doença ? sintomas mil... reunidos em corpo vil... venha a mim, vestida de preto aniquile meu sofrimento leve-me em seus braços para a mansão do esquecimento... |
injusto tantos calores tantos odores contra os poucos meus vidas vividas atos passados concretizados só imaginados não feitos meus injusta vontade me toma, me enforca injusto puro e não puro unicamente pela vontade do ser experimentar, usar, fazer injusto agora vontade que me toma inveja que me assola NÃO! raiva que devora, sim! do sonho profundo o injusto... o injusto do ser... |
dias intermináveis pensamentos que não vão embora assim estou não sei o que sinto esqueci o que é felicidade minha vida resumiu-se a uma palavra... SAUDADE... cada segundo que se passa uma lembraça que vem a mente tormento...tristeza...uma dor que poucos sentem toda noite ao deitar... tenho medo de adormecer sonhar... e ao acordar, sentir em meu rosto a verdade caindo molhando o travesseiro pudesse eu... viver apenas no mundo dos sonhos sonhos que outrora já foram realidade mas que agora se transformaram em eternas saudades... |
do ódio ao amor... sou antitise um dia suave, briza a refrescar noutro, forte furacão a destruir invisível aos olhos sensível ao corpo nunca despercebido as sementes carrega a destruição faz antitises ironicas ao norte, ao sul traz tristezas leva alegria a leste, a oeste leva a vida traz a morte sozinho....é nada precisa do impulso ou..., morre. simples e ao mesmo tempo ...complexo... complexo para quem vê de fora simples para quem vê de dentro complexo por nao aceitar a simplicidade forte para causar mudanças fraco para si mesmo do amor ao ódio cansado de soprar... |
sono
estou adormecendo
é tarde
dormir
talvez sonhar...
acordar
e não mais lembrar
do sonho outrora tido
outra hora sentido
mais um dia
enfrentar ?? Fugir...
enconder-se???
Mostrar minha face
Enfrentar a luz
Desistir como sempre
Outra vez vencido
aos gritos acordo
quem ? onde ?
ah, sim! pesadelos
a me visitar toda hora
confuso. ansioso
choro.
salgadas elas...
as lágrimas
calmas e serenas
lentamente deslizam
em minha face
tocam-me
ouço meu nome
frequente. estão me chamando
sim. ja acordei
logo vou...
Manter-se vivo
Esconder a tristeza
Dominar o choro
Outra vez perdido
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do sol que brilha lá fora da dor que sinto aqui dentro o vento sopra traz as nuvens cinzentas logo despencara a tempestade do sofrimento gotas salgadas da chuva deslizam pelo céu semi-pálido meus lábios sentem o sabor dessa terrível dor enchente inunda meu coração da saudade, do lamento... nessa água de límpida melancolia afogado morrerei. |
Anjos da solidão vieram me visitar vieram...em cadeira de rodas pois não podiam andar... veio um de cada vez pois...eram anjos da solidão me trouxeram seu mais belo presente uma caixa...num lindo enfeite ao tira-lo, escrito na caixa...TRISTEZA ... ao abri-la minha alma foi sugada para seu interior e em seu lugar fui preenchido com o vazio ... na madruga acordo... escutando gritos são eles...a me atormentar Anjos do desespero vieram me visitar vieram...rastejando pelo chão pois não tinham forcas para se levantar... me trouxeram o seu presente... simples e único... o ARREPENDIMENTO do qual nunca vou me livrar... levanto me. entre as sombras das arvores vejo o sol tentando nascer... ... Anjos da escuridão vieram me visitar vieram...com suas imensas asas... me deram o seu presente... com um majestoso vôo ocultaram a luz do sol de mim... a ESCURIDAO...este foi seu presente sento no chão úmido entre folhas e flores mórbidas ... um outro anjo veio me visitar... não o reconheço... lindo misterioso... com um sorriso ingênuo ... entrega-me seu presente... num belo embrulho... abro. vejo uma navalha afiada sem pensar corto ao meu pulso ao ver a navalha manchada... o sangue a molhar minhas vestes... e a gelar meu corpo... sorrio pela primeira vez... com minhas ultimas forças pergunto - quem es tu, anjo ? quem es tu que me fizeste sorrir ?..... morro. sem escutar a resposta... mas não é necessária... sei que ele foi meu ANJO DA SALVAÇÃO... ... |
"GIRL - It's a coffin, a coffin! Get me out! LESTAT - Of course it's a coffin. You're dead, love." Semblante pálido de quem alivia sua dor seu pranto...o suor alguém, um dia teve amor necromância suscitada suturada com lamúria genetriz de minha fúria AH! Crescente Lua...lembra-te ? Seus lábios, o sabor o veneno embriagador olhar encantador me conquistou com ardor por que permitiste, condessa das paixões ? que as asas do destino a levassem ira fútil arrancou-me do imo de meu coração lembranças me corrompem todavia, a colera ainda se faz presente Errei... você sabe, princesa noturnal Também têm conhecimento de que não fui único Duplice delinquência Ahh! Dúbio de meus pensamentos meu afeto perdeu-se no repúdio Certeza Incerta... |
Por que ingrata paixão me torturas assim ? Sabe que não é perfeita para mim Se farta de regras sujas Faz-me sentir bem ao seu lado Não posso permitir que crie mais angústias para mim Saudades sinto, nesse momento Seus braços, envolto em meu corpo Seu calor, o perfume O beijo... Impossível descrever com palavras sensações provocadas por singelo e perfeito ato. Ahhh! Não aguento essa dúvida Imperfeita, eu sei... Também sou.. Tentar... Por que não ?? Unirmos em busca da perfeição... |
só mais uma chuva minha mente diz que há algo em que devemos acreditar talvez em meus sonhos em meus desejos mais uma vez sozinho fecho meus olhos tento escapar do sofrimento penso em voltar ao passado pedir desculpas penso em voltar... reconquistar minhas glórias não...não...não sentir lágrimas escorrerem de meu rosto sangue saindo de meu pulso não...não...não... é só mais uma chuva... |
Domina minha alma Rege meu corpo Não tenho mais controle Apenas sigo sua vontade Lutar contra...tentei Arrasado em todas as batalhas Desisti... Não...Não ha vejo como inimiga Mas não posso dizer que é minha amiga Por que faz isso comigo ? Não é a primeira vez que me atormenta Porem é do modo mais forte de todos os tempos Tento fingir que não existe... E de repente...você me aparece sorrindo Ironia... Será a morte a unica saida... Para essa atormentada e sofrida vida ? Durmo com você... Sonho com você... Ao acordar e olhar no espelho... O reflexo que vejo...você Deslizando suavemente até encontrar meus lábios Você está aqui agora. A me acompanhar nestas linhas Onde palavras tremulas escrevo Tristeza, por que faz isto ? |
queria mais uma vez poder...
...sentir o doce sabor de seu beijo
queria mais uma vez poder...
...sentir calor e o conforto que seu abraço proporciona
queria mais uma vez poder...
...escutar sua suave voz que sempre alegra minha alma
queria mais uma vez poder...
...andar pelas ruas ao seu lado sem me importar com nada
...apenas com a felicidade que sinto ao estar com você
queria mais uma vez poder...
...segurar em sua mão...
...sentir o seu perfume que me embriaga de paixão
queria mais uma vez poder...
...olhar nos seus olhos e dizer que te amo.
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o que minha alma gostaria de dizer hoje já não faz diferença nenhuma.... porém minha alma continua sendo sufocada... um único desejo um único sonho... a vontade secreta de ter aquilo que não me pertence mais... que o destino arranco de minha mão... machucou meu coração o que me resta agora o ódio perante mim a depressão e a solidão brincando juntas dentro de meu corpo hoje vejo que não sou feliz que nunca fui apenas tive momentos felizes mas nunca a felicidade em si ela esteve perto mas não quiz conversar sempre senti que iria embora mas não queria acreditar por que fostes ? |
De onde você surgiu ?? Do céu ou do Inferno ?? Linda e perfeita Serena e Alegre como um belo anjo Ao mesmo tempo... me alucina vontades e desejos... Como um anjo mal... Tornou-se minha essência de vida Sem ti, nada irá me confortar Ainda me levaras a cometer um pecado que será perdoado... |
Sentado, balançando a cadeira degusto o vinho quente e viscoso De frente, em outra cadeira Rosto pálido, braços estendidos em direção ao chão... Ela. Linda e perfeira, chora... Lágrimas de sangue, que saem de seu pulso lentamente Corte que outrora fiz quando estava embriagado de ciúmes. Agora... Me embriago com o sangue de meu amor... |
Raio de sol que tilinta Vento uivante a chuva chora pensamentos fluem ao longo de todo o fio da navalha a gota cai junto a poça da imensa solidão ao sentar na cadeira minhas pernas trêmem o meu pensamento se volta Apenas um ponto no horizonte O horizonte some não me presenteia com o pôr do sol |
Oh doravante dor que neste momento traz minha alegria Ao chão vejo a lâmina manchada com o vinho Quente e viscoso Ao seu brilho vejo o coraçao pulsante Rápido, Devagar... Devagar, Rápido... Tentando sobreviver... |
Quando as ações se acabam vem as palavras sentimentos ocultos idéias abstratas... mas quando até estas se vão... nos sobra o poço da solidão... ainda há um fio de força para que possamos segurar a corda para alguém nos puxar... |
Sem mais palavras parto para as ações Braços trêmulos Coração acelerado Agora só resta o Ato ser concretizado Desejos Sublimes Vontades reveladas Ainda quero mais vou correr atras se não puder ter prefiro....morrer! |
Do meu ventre a dor Reflexão através de seus significados Processos inacabados Sonhos abandonados Palavras na brisa Refresca e Arrepia Única e própria Sua Sem motivo ou razão E a dor E a sensação E o medo E a solidão A força que vai diminuindo Se apagando com o tempo Tempo que traz a dor E no ventre Da menstruação Do ser mulher Indecisão Sonhos transparentes Em um mar de Amor... |
Não vou conseguir dormir Meus braços pedem seu corpo Preciso de seu calor Me viro e reviro na cama a noite toda Vou te chamar, te ligar Te convencer a me fazer dormir Mas mesmo se você vier Irá embora... e ... Vou acordar e não vou Mais conseguir dormir! Acordo muitas vezes ... não Dá tempo nem de sonhar... Que saudade! Vou berrar! Lembro dos beijos Sinto o cheiro Quero beijar! Cheirar! Morder! Não consigo arranjar uma Posição confortável... Me viro e reviro mais... Bateu ciúmes novamente... Por que esta não pode ser sua cama???? Tou cansada... quero dormir Vou continuar pensando Na minha criança da noite... Que dorme agora! Que amo agora! Que mimo amanhã! Não vou dormir Vou somente parar de escrever... Saudade dele... Sinto falta de dormir... Mas preciso dele pra dormir! Maldita insônia... |
Tudo começa com aquela sensação de algo querendo surgir logo vêm as lágrimas, lágrimas que ardem e provam o sentimento que só cresce como uma flor que floresce Lágrimas singelas... Rima idiota!! Grita!! Não! Silêncio. Lágrimas de vergonha... A fumaça surgiu da queimadura alguns segundos de prazer sem dor, sem amor, sem medo só o calor Lágrimas... E isso passa, e tudo volta doendo cada vez mais como antes o pânico fazia latejar Agora a pele que se modifica ajuda o desespero se estabelecer medo da dor... e do amor... Lágrimas com medo... A marca surge enquanto o sangue escorre não é profundo pra matar mas rasgou, e jorra eis o desejo Lágrimas pra sonhar... Abandonou a chama respiração agora ofegante e como dói Lágrimas de dor... Corre! Corre! Não deixa ninguém ver. Todos impotentes! Culpados. Sem culpa Silencio!!!!!! Alguém vai perceber. Não chora Não geme shhhhhhhhhhh Ninguém pode saber. Lágrimas caladas... Os olhos se voltam para a dor Um suspiro Agora sim você percebe o que fez Pavor. Arrependimento a marca vai ficar a imagem dessa cicratiz já não é na pele a alma responde: a tristeza que estava nesse momento já é você aprende, burra! Agora.. chorar não vai resolver... Mais lágrimas... Só lágrimas. |
cada momento perdido cada segundo isolado cada dia vivido cada pedaço quebrado um coração dolorido um minuto acabado um amor morrido um ódio criado só um instante só um momento só uma ferida só um sofrimento cada lagrima escorrida cada segundo cortado cada parte destruída cada pedaço queimado um momento perdido um segundo isolado um dia vivido um pedaço quebrado cada coração dolorido cada minuto acabado cada amor morrido cada ódio criado sangue que jorra chamas que queimam punhal que fura facão que corta dor que dói só dói de cada só de cada de cada um só dói mais e mais |
Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro! Não levo da existência uma saudade! E tanta vida que meu peito enchia Morreu na minha triste mocidade! Misérrimo! Votei meus pobres dias À sina doida de um amor sem fruto, E minh’alma na treva agora dorme Como um olhar que a morte envolve em luto. Que me resta, meu Deus? Morra comigo A estrela de meus cândidos amores, Já não vejo no meu peito morto Um punhado sequer de murchas flores! |
"Quand la mort est si belle, Il est doux de mourir." (Victor Hugo) Amemos! Quero de amor Viver no teu coração! Sofrer e amar essa dor Que desmaia de paixão! Na tu’alma, em teus encantos E na tua palidez E nos teus ardentes prantos Suspirar de languidez! Quero em teus lábio beber Os teus amores do céu, Quero em teu seio morrer No enlevo do seio teu! Quero viver d’esperança, Quero tremer e sentir! Na tua cheirosa trança Quero sonhar e dormir! Vem, anjo, minha donzela, Minha’alma, meu coração! Que noite, que noite bela! Como é doce a viração! E entre os suspiros do vento Da noite ao mole frescor, Quero viver um momento, Morrer contigo de amor! |
"No more! o never more!" - (Shelley) Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nenhuma lágrima Em pálpebra demente. E nem desfolhem na matéria impura A flor do vale que adormece ao vento: Não quero que uma nota de alegria Se cale por meu triste passamento. Eu deixo a vida como deixa o tédio Do deserto, o poento caminheiro, – Como as horas de um longo pesadelo Que se desfaz ao dobre de um sineiro; Como o desterro de minh’alma errante, Onde fogo insensato a consumia: Só levo uma saudade – é desses tempos Que amorosa ilusão embelecia. Só levo uma saudade – é dessas sombras Que eu sentia velar nas noites minhas… De ti, ó minha mãe, pobre coitada, Que por minha tristeza te definhas! De meu pai… de meus únicos amigos, Pouco - bem poucos – e que não zombavam Quando, em noites de febre endoudecido, Minhas pálidas crenças duvidavam. Se uma lágrima as pálpebras me inunda, Se um suspiro nos seios treme ainda, É pela virgem que sonhei… que nunca Aos lábios me encostou a face linda! Só tu à mocidade sonhadora Do pálido poeta deste flores… Se viveu, foi por ti! e de esperança De na vida gozar de teus amores. Beijarei a verdade santa e nua, Verei cristalizar-se o sonho amigo… Ó minha virgem dos errantes sonhos, Filha do céu, eu vou amar contigo! Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nela: Foi poeta - sonhou - e amou na vida. Sombras do vale, noites da montanha Que minha alma cantou e amava tanto, Protegei o meu corpo abandonado, E no silêncio derramai-lhe canto! Mas quando preludia ave d’aurora E quando à meia-noite o céu repousa, Arvoredos do bosque, abri os ramos… Deixai a lua pratear-me a lousa! |
"Taedet animam meam vitae meae." - (Jó) Ao pé das aras no clarão dos círios Eu te devera consagrar meus dias; Perdão, meu Deus! perdão Se neguei meu Senhor nos meus delírios E um canto de enganosas melodias Levou meu coração! Só tu, só tu podias o meu peito Fartar de imenso amor e luz infinda E uma Saudade calma; Ao sol de tua fé doirar meu leito E de fulgores inundar ainda A aurora na minh'alma. Pela treva do espírito lancei-me, Das esperanças suicidei-me rindo... Sufoquei-as sem dó. No vale dos cadáveres sentei-me E minhas flores semeei sorrindo Dos túmulos no pó. Indolente Vestal, deixei no templo A pira se apagar — na noite escura O meu gênio descreu. Voltei-me para a vida... só contemplo A cinza da ilusão que ali murmura: Morre! — tudo morreu! Cinzas, cinzas... Meu Deus! só tu podias À alma que se perdeu bradar de novo: Ressurge-te ao amor! Malicento, da minhas agonias Eu deixaria as multidões do povo Para amar o Senhor! Do leito aonde o vício acalentou-me O meu primeiro amor fugiu chorando. Pobre virgem de Deus! Um vendaval sem norte arrebatou-me, Acordei-me na treva... profanando Os puros sonhos meus! Oh! se eu pudesse amar!... — É impossível! Mão fatal escreveu na minha vida; A dor me envelheceu. O desespero pálido, impassível Agoirou minha aurora entristecida, De meu astro descreu. Oh! se eu pudesse amar! Mas não: agora Que a dor emurcheceu meus breves dias, Quero na cruz sangrenta Derramá-los na lágrima que implora, Que mendiga perdão pela agonia Da noite lutulenta! Quero na solidão — nas ermas grutas A tua sombra procurar chorando Com meu olhar incerto: As pálpebras doridas nunca enxutas Queimarei... teus fantasmas invocando No vento do deserto. De meus dias a lâmpada se apaga: Roeram meu viver mortais venenos; Curvo-me ao vento forte. Teu fúnebre clarão que a noite alaga, Como a estrrla oriental me guie ao menos Té o vale da morte! No mar dos vivos o cadáver bóia — A lua é descorada como um crânio, Este sol não reluz: Quando na morte a pálpebra se engóia, O anjo se acorda em nós — e subitâneo Voa ao mundo da luz! Do val de Josafá pelas gargantas Uiva na treva o temporal sem norte E os fantasmas murmuram... Irei deitar-me nessas trevas santas, Banhar-me na frieza lustral da morte Onde as almas se apuram! Mordendo as clinas do corcel da sombra, Sufocando, arquejante passarei Na noite do infinito. Ouvirei essa voz que a treva assombra, Dos lábios de minh'alma entornarei O meu cântico aflito! Flores cheias de aroma e de alegria, Por que na primavera abrir cheirosas E orvalhar-vos abrindo? As torrentes da morte vêm sombrias, Hão de amanhã nas águas tenebrosas Vos rebentar bramindo. Morrer! morrer! É voz das sepulturas! Como a lua nas salas festivais A morte em nós se estampa! E os pobres sonhadores de venturas Roxeiam amanhã nos funerais E vão rolar na campa! Que vale a glória, a saudação que enleva Dos hinos triunfais na ardente nota, E as turbas devaneia? Tudo isso é vão, e cala-se na treva — Tudo é vão, como em lábios de idiota Cantiga sem idéia. Que importa? quando a morte se descarna, A esperança do céu flutua e brilha Do túmulo no leito: O sepulcro é o ventre onde se encama Um verbo divinal que Deus perfilha E abisma no seu peito! Não chorem! que essa lágrima profunda Ao cadáver sem luz não dá conforto... Não o acorda um momento! Quando a treva medonha o peito inunda, Derrama-se nas pálpebras do morto Luar de esquecimento! Caminha no deserto a caravana, Numa noite sem lua arqueja e chora... O termo... é um sigilo! O meu peito cansou da vida insana; Da cruz à sombra, junto aos meus, agora Eu dormirei tranqüilo! Dorme ali muito amor... muitas amantes, Donzelas puras que eu sonhei chorando E vi adormecer. Ouço da terra cânticos errantes, E as almas saudosas suspirando, Que falam em morrer... Aqui dormem sagradas esperanças, Almas sublimes que o amor erguia... E gelaram tão cedo! Meu pobre sonhador! aí descansas, Coração que a existência consumia E roeu um segredo! ... Quando o trovão romper as sepulturas, Os crânios confundidos acordando No lodo tremerão. No lodo pelas tênebras impuras Os ossos estalados tiritando Dos vales surgirão! Como rugindo a chama encarcerada Dos negros flancos do vulcão rebenta Goltejando nos céus, Entre nuvem ardente e trovejada Minh'alma se erguerá, fria, sangrenta, Ao trono de meu Deus... Perdoa, meu Senhor! O errante crente Nos desesperos em que a mente abrasas Não o arrojes p'lo crime! Se eu fui um anjo que descreu demente E no oceano do mal rompeu as asas, Perdão! arrependi-me! |
Meu desejo? Era ser a luva branca Que essa tua gentil mãozinha aperta; A camélia que murcha no teu seio, O anjo que por te ver do céu deserta... Meu desejo? Era ser o sapatinho Que teu mimoso pé no baile encerra... A esperança que sonhas no futuro, As saudades que tens aqui na terra... Meu desejo? Era ser o cortinado Que não conta os mistérios de teu leito; Era de teu colar de negra seda Ser a cruz com que dormes sobre o peito. Meu desejo? Era ser o teu espelho Que mais bela te vê quando deslaças Do baile as roupas de escomilha e flores E mira-te amoroso as nuas graças! Meu desejo? Era ser desse teu leito De cambraia o lençol, o travesseiro Com que velas o seio, onde repousas, Solto o cabelo, o rosto feiticeiro... Meu desejo? Era ser a voz da terra Que da estrela do céu ouvisse amor! Ser o amante que sonhas, que desejas Nas cismas encantadas de langor! |
Eu Cavaleiro das armas escuras, Onde vais pelas trevas impuras Com a espada sangüenta na mão? Por que brilham teus olhos ardentes E gemidos nos lábios frementes Vertem fogo do teu coração? Cavaleiro, quem és? o remorso? Do corcel te debruças no dorso… E galopas do vale através… Oh! da estrada acordando as poeiras Não escutas gritar as caveiras E morder-te o fantasma nos pés? Onde vais pelas trevas impuras, Cavaleiro das armas escuras, Macilento qual morto na tumba?… Tu escutas… Na longa montanha Um tropel teu galope acompanha? E um clamor de vingança retumba? Cavaleiro, quem és? – que mistério, Quem te força da morte no império Pela noite assombrada a vagar? O Fantasma Sou o sonho da tua esperança, Tua febre que nunca descansa, O delírio que te há de matar!… |
Minha desgraça não é ser poeta, Nem na terra de amor não ter um eco, E meu anjo de Deus, o meu planeta Tratar-me como trata-se um boneco... Não é andar de cotovelos rotos, Ter duro como pedra o travesseiro... Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro... Minha desgraça, ó cândida donzela, O que faz que o meu peito blasfema, É ter para escrever todo um poema E não ter um vintém para uma vela. |
Oh! Páginas da vida que eu amava, Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado! ... Ardei, lembranças doces do passado! Quero rir-me de tudo que eu amava! E que doudo que eu fui! como eu pensava Em mãe, amor de irmã! em sossegado Adormecer na vida acalentado Pelos lábios que eu tímido beijava! Embora — é meu destino. Em treva densa Dentro do peito a existência finda Pressinto a morte na fatal doença! A mim a solidão da noite infinda! Possa dormir o trovador sem crença Perdoa minha mãe - eu te amo ainda! |
Perdoa-me, visão dos meus amores, Se a ti ergui meus olhos suspirando! ... Se eu pensava num beijo desmaiando Gozar contigo uma estação de flôres! De minhas faces os mortais palores, Minha febre noturna delirando, Meus ais, meus tristes ais vão revelando Que peno e morro de amorosas dores... Morro, morro por ti! na minha aurora A dor do coração, a dor mais forte, A dor de um desengano me devora... Sem que última esperança me conforte, Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora Morte no coração, nos olhos morte! |
Por que mentias leviana e bela? Se minha face pálida sentias Queimada pela febre, e minha vida Tu vias desmaiar, por que mentias? Acordei da ilusão, a sós morrendo Sinto na mocidade as agonias. Por tua causa desespero e morro... Leviana sem dó, por que mentias? Sabe Deus se te amei! Sabem as noites Essa dor que alentei, que tu nutrias! Sabe esse pobre coração que treme Que a esperança perdeu por que mentias! Vê minha palidez- a febre lenta Esse fogo das pálpebras sombrias... Pousa a mão no meu peito! Eu morro! Eu morro! Leviana sem dó, por que mentias? |
"Cette image du ciel - innocence et beauté!" - (Lamartine) Por que, pálida inocência, Os olhos teus em dormência A medo lanças em mim? No aperto de minha mão Que sonho do coração Tremeu-te os seios assim? E tuas falas divinas Em que amor lânguida afinas Em que lânguido sonhar? E dormindo sem receio Por que geme no teu seio Ansioso suspirar? Inocência! Quem dissera De tua azul primavera As tuas brisas de amor! Oh! Quem teus lábios sentira E que trêmulo te abrira Dos sonhos a tua flor! Quem te dera a esperança De tua alma de criança, Que perfuma teu dormir! Quem dos sonhos te acordasse, Que num beijo t’embalasse Desmaiada no sentir! Quem te amasse! E um momento Respirando o teu alento Recendesse os lábios seus! Quem lera, divina e bela, Teu romance de donzela Cheio de amor e de Deus! |
Pálida à luz da lâmpada sombria, Sobre o leito de flores reclinada, Como a lua por noite embalsamada, Entre as nuvens do amor ela dormia! Era a virgem do mar, na escuma fria Pela maré das águas embalada! Era um anjo entre nuvens d'alvorada Que em sonhos se banhava e se esquecia! Era mais bela! o seio palpitando Negros olhos as pálpebras abrindo Formas nuas no leito resvalando Não te rias de mim, meu anjo lindo! Por ti as noites eu velei chorando, Por ti nos sonhos morrerei sorrindo! |
Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã! Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu perdera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã! Que sol! que céu azul! que dove n'alva Acorda a natureza mais loucã! Não me batera tanto amor no peito Se eu morresse amanhã! Mas essa dor da vida que devora A ânsia de glória, o dolorido afã... A dor no peito emudecera ao menos Se eu morresse amanhã! |
Passei ontem a noite junto dela. Do camarote a divisão se erguia Apenas entre nós — e eu vivia No doce alento dessa virgem bela... Tanto amor, tanto fogo se revela Naqueles olhos negros! Só a via! Música mais do céu, mais harmonia Aspirando nessa alma de donzela! Como era doce aquele seio arfando! Nos lábios que sorriso feiticeiro! Daquelas horas lembro-me chorando! Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro É sentir todo o seio palpitando... Cheio de amores! E dormir solteiro! |
"Un souvenir heureux est peut-être sur terre Plus vrai que le bonheur." - (Alfred de Musset) O Poeta: Oh! Musa, por que vieste, E contigo me trouxeste A vagar na solidão? Tu não sabes que a lembrança De meus anos de esperança Aqui fala ao coração? A Saudade: De um puro amor a lânguida Saudade É doce como a lágrima perdida Que banha no cismar um rosto virgem, Volta o rosto ao passado, e chora a vida. O Poeta: Não sabe o quanto dói Uma lembrança que rói A fibra que adormeuceu?... Foi neste vale que amei, Que a primavera sonhei, Aqui minha alma viveu. A Saudade: Pálidos sonhos no passado morto É dove reviver mesmo chorando. A alma refez-se pura. Um vento aéreo Parece que de amor nos vai roubando. O Poeta: Eu vejo ainda a janela Onde à tarde junto dela Eu lia versos de amor... Como eu vivia d’enleio No bater daquele seio, Naquele aroma de flor! Creio vê-la inda formosa, Nos cabelos uma rosa, De leve a janela abrir... Tão bela, meu Deus, tão bela! Por que amei tanto, donzela, Se devias me trair ? A Saudade: A casa está deserta. A parasita Das paredes estala a negra cor. Os aposentos o ervaçal povoa. A porta é franca... Entremos, trovador! O Poeta: Derramai-vos, prantos meus! Dai-me prantos, ó meu Deus! Eu quero chorar aqui! Em que sonhos de ebriedade No arrebol da mocidade Eu nesta sombra dormi! Passado, por que murchaste? Ventura, por que passaste Degenerando em Saudade? Do estio secou-se a fonte, Só ficou na minha fronte A febre da mocidade. A Saudade: Sonha, Poeta, sonha! Ali sentado No tosco assento da janela antiga, Apóia sobre a mão a face pálida, Sorrindo - dos amores à cantiga. O Poeta: Minha alma triste se enluta, Quando a voz interna escuta Que blasfema da esperaçança, Aqui tudo se perdeu, Minha pureza morreu Com o enlevo de criança! Ali amante ditoso, Delirante, suspiroso, Eflúvios dela sorvi. No seu colo eu me deitava... E ela tão doce cantava! De amor e canto vivi! Na sombra deste arvoredo Oh! quantas vezes a medo Nossos lábios se tocaram! E os seios onde gemia Uma voz que amor dizia, Desmaiando me apertaram! Foi doce nos braços teus, Meu anjo belo de Deus, Um instante do viver! Tão doce, que em mim sentia Que minh'alma se esvaía E eu pensava ali morrer! A Saudade: É berço de mistério e d'harmonia Seio mimoso de adorada amante. A alma bebe nos sons que amor suspira A voz, a doce voz de uma alma errante. Tingem-se os olhos de amorosa sombra, Os lábios convulsivos estremecem, E a vida foge ao peito ... apenas tinge As faces que de amor empalidecem. Parece então que o agitar do gozo Nossos lábios atrai a um bem divino: Da amante o beijo é puro como as flores E a voz dela é um hino. Dizei-o vós, dizei, ternos amantes, Almas ardentes que a paixão palpita, Dizei essa emoção que o peito gela E os frios nervos num espasmo agita. Vinte anos! como tens doirados sonhos! E como a névoa de falaz ventura Que se estende nos olhos do Poeta Doira a amante de nova formosura! O Poeta: Que gemer! não me enganava? Era o anjo que velava Minha casta solidão? São minhas noites gozadas, As venturas tão choradas Que vibram meu coração? É tarde, amores, é tarde; Uma centelha não arde Na cinza dos seios meus... |
A vida é uma planta misteriosa Cheia d’espinhos, negra de amarguras Onde só abrem duas flores puras - Poesia e amor... E a mulher... é a nota suspirosa Que treme d’alma a corda estremecida, _É fada que nos leva além da vida Pálidos de langor! A poesia é a luz da mocidade, O amor é o poema dos sentidos, A febre dos momentos não dormidos E o sonhar da ventura... Voltai, sonhos de amor e de saudade! Quero ainda sentir arder-me o sangue, Os olhos turvos, o meu peito langue, E morrer de ternura! |
"Laisse-toi donc aimer! Oh! l'amour c'est Ia vie C'est tout ce qu'on regeste et tout ce quon envie, Quand on voit sa jeunesse au couchant décliner. La beauté cest le front, l'amour cest Ia couronne, Laisse-toi couronner!" (Victor Hugo) Amo o vento da noite sussurrante A tremer nos pinheiros E a cantiga do pobre caminhante No rancho dos tropeiros; E os monótonos sons de uma viola No tardio verão, E a estrada que além se desenrola No véu da escuridão; A restinga d'areia onde rebenta O oceano a bramir, Onde a lua na praia macilenta Vem pálida luzir; E a névoa e flores e o doce ar cheiroso Do amanhecer na serra, E o céu azul e o manto nebuloso Do céu de minha terra; E o longo vale de florinhas cheio E a névoa que desceu, Como véu de donzela em branco seio, Às estrelas do céu. II Não é mais bela, não, a argêntea praia Que beija o mar do sul, Onde eterno perfume a flor desmaia E o céu é sempre azul; Onde os serros fantásticos roxeiam Nas tardes de verão E os suspiros nos lábios incendeiam E pulsa o coração! Sonho da vida que doirou e azula A fala dos amores, Onde a mangueira ao vento que tremula Sacode as brancas flores, E é saudoso viver nessa dormência Do lânguido sentir, Nos enganos suaves da existência Sentindo-se dormir; Mais formoso não é: não doire embora O verão tropical Com seus rubores e alvacenta aurora Na montanha natal, Nem tão doirada se levante a lua Pela noite do céu, Mas venha triste, pensativa e nua Do prateado véu Que me importa? se as tardes purpurinas E as auroras dali Não deram luz às diáfamas cortinas Do leito onde eu nasci? Se adormeço tranqüilo no teu seio E perfuma-se a flor Que Deus abriu no peito do Poeta, Gotejante de amor? Minha terra sombria, és sempre bela, Inda pálida a vida Como o sono inocente da donzela No deserto dormida! No italiano céu nem mais suaves São as noites os amores, Não tem mais fogo o cântigo das aves Nem o vale mais flores! III Quando o gênio da noite vaporosa Pela encosta bravia Na laranjeira em flor toda orvalhosa De aroma se inebria, No luar junto à sombra recendente De um arvoredo em flor, Que Saudades e amor que influi na mente Da montanha o frescor! E quando à noite no luar saudoso Minha pálida amante Ergue seus olhos úmidos de gozo, E o lábio palpitante... Cheia de argêntea luz do firmamento Orando por seu Deus, Então... eu curvo a fronte ao sentimento Sobre os joelhos seus... E quando sua voz entre harmonias Sufoca-se de amor, E dobra a fronte bela de magias Como pálida flor, E a arma pura nos seus olhos brilha Em desmaiado véu, Como de um anjo na cheirosa trilha Respiro o amor do céu! Melhor a viração uma por uma Vem as folhas tremer, E a floresta saudosa se perfuma Da noite no morrer, E eu amo as flores e o doce ar mimoso Do amanhecer da serra E o céu azul e o manto nebuloso Do céu de minha terra! |
É ela! É ela! — murmurei tremendo, E o eco ao longe murmurou — é ela! Eu a vi... minha fada aérea e pura — A minha lavadeira na janela! Dessas águas-furtadas onde eu moro Eu a vejo estendendo no telhado Os vestidos de chita, as saias brancas; Eu a vejo e suspiro enamorado! Esta noite eu ousei mais atrevido Nas telhas que estalavam nos meus passos Ir espiar seu venturoso sono, Vê-la mais bela de Morfeu nos braços! Como dormia! Que profundo sono!... Tinha na mão o ferro do engomado... Como roncava maviosa e pura!... Quase caí na rua desmaiado! Afastei a janela, entrei medroso... Palpitava-lhe o seio adromecido... Fui beijá-la... roubei do seio dela Um bilhete que estava ali metido... Oh! de certo... (pensei) é doce página Onde a alma derramou gentis amores; São versos dela... que amanhã de certo Ela me enviará cheios de flores... Tremi de febre! Venturosa folha! Quem pousasse contigo neste seio! Como Otelo beijando a sua esposa, Eu beijei-a a tremer de devaneio... É ela! É ela! — repeti tremendo; Mas cantou nesse instante uma coruja... Abri cioso a página secreta... Oh! Meu Deus! Era um rol de roupa suja! Mas se Werther morreu por ver Carlota Dando pão com manteiga às criancinhas Se achou-a assim mais bela — eu mais te adoro Sonhando-te a lavar as camizinhas! É ela! É ela! meu amor, minh'alma, A Laura, a Beatriz que o céu revela... É ela! É ela! — murmurei tremendo, E o eco ao longe suspirou — é ela! |
Já da noite o palor me cobre o rosto, Nos lábios meus o alento desfalece, Surda agonia o coração fenece, E devora meu ser mortal desgosto! Do leito, embalde num macio encosto, Tento o sono reter!... Já esmorece O corpo exausto que o repouso esquece... Eis o estado em que a mágoa me tem posto! O adeus, o teu adeus, minha saudade, Fazem que insano do viver me prive E tenha os olhos meus na escuridade. Dá-me a esperança com que o ser mantive! Volve ao amante os olhos, por piedade, Olhos por quem viveu quem já não vive! |
Entraste em mim, Cortaste meu coração para toda a eternidade, Tudo em mim é escuro, fundo e vazio, Graças a você... Lentamente destruíste meu corpo, Meu espírito, Minha vida. No fogo das velas vejo teu rosto. No cemitério descanso, penso... Entre fantasmas, sombras, Sinto o cheiro das flores, Ouço vozes ao vento. Alimento-me do ódio, Graças a você. Lágrimas e sangue no chão, Névoa cinza. Minh´alma cada vez mais escura, pútrida e maligna. Destruição extrema, Tudo em chamas... Graças a você, Mórbida dor, Mórbido amor destruído. |
Vulto negro que avisto chegar De onde vieram teus olhos de aurora São pedras da lua, aonde tu moras? Para que viestes meus lábios provar? Amor divino, esta noite é pequena Se tua alma trepida me foge do corpo Sinto-me frio - de repente estou morto! E torno à vida aonde a vida é efêmera Com estas vestes de malvada Beija como um anjo, uma fada Depois se vai o meu desejo Sai sem deixar uma palavra rouca Só o gosto, de tão doce boca, Ainda mais doces os beijos |
Peripécia ou arte, do destino ou do acaso O anjo sublime q me pôs do teu lado hoje se ofusca na escuridão do incerto Como cegos, em um vício desconhecido Ainda sedentos, ou incompletos, ou famintos Somos imunes ao bem e ao mal Uma estranha necessidade de alongar cada momento Gritou tua voz entre os meus pensamentos Mesmo sem nunca ter te sentido o silêncio Como se nossos corpos se consumissem com frieza As palavras tornam gélido o sangue nas veias e as almas tão perto e, ainda assim, tão longe... O que for, que seja eterno, imortal e infinito Então quando a palavras já não fizerem sentido Um ósculo preencherá o vazio entre os lábios... |
Nos piores momentos da minha vida, você está comigo... Nunca deixou de existir em meu coração Sempre está morando dentro de mim Quando não me acompanha, é porque você apenas dormiu por poucos instantes Mas sei que voltará a me invadir com toda sua força É minha melhor companheira e jamais me abandona Você é a única que morrerá comigo, por isso acho que me ama Pois acho que a amo também Amo você, tristeza... |
Um epílogo. Demorado fim. Não sabia quanto havia se passado. Duas horas? Cinco minutos, talvez. Na verdade, o tempo não importava. Naquele lugar, naquele momento, era praticamente impossível que alguém estivesse perto o suficiente para observá-lo ou para impedi-lo. Ainda assim ele hesitava. Não porque estivesse preocupado com a possibilidade de alguém estar testemunhando a cena, mas porque já sabia que uma pessoa estava: ele mesmo. Tinha completa noção do porquê estava lá e o que tinha que fazer, mas ainda se esforçava para se lembrar, ou talvez inventar um motivo que o detivesse. Pensar demais era seu maior problema, diziam. Encostou o cano da arma no queixo e a engatilhou. Dezessete anos. Valeria a pena morrer após tão poucos anos de existência? Valeria a pena viver após tantos anos de sofrimento? Não sabia a resposta. "O que leva um jovem ao suicídio?". Não, esse pensamento não era dele, ele o havia ouvido em algum lugar. Na televisão, talvez. Embora desprezasse quaisquer programas de auto-ajuda por considerá-los sentimentais demais. Desprezava, possivelmente, os sentimentos em si. Há quanto tempo os havia esquecido? Não se lembrava. Ou não queria lembrar. Percebeu que estava se dispersando novamente, precisava se concentrar. Segurou novamente, desta vez com mais firmeza, o cabo do revólver e fechou os olhos. Fechar os olhos. Quem dera o mundo pudesse desaparecer através de um ato tão simples. Não. Pensamento piegas de poetas de segunda. Quem devia desaparecer era ele. Discordava do mundo. Não se encaixava no mundo. Não gostava do mundo. Precisou estar tão próximo de atingir a maturidade para tomar a decisão, e agora não podia mais voltar atrás. Ou podia? Estava confuso, não imaginava que a escolha seria tão difícil, pois em toda a sua vida só havia enfrentado escolhas simples, óbvias. Como no primário, lembrou. Os colegas sempre o procuravam para pedir ajuda, e ele jamais hesitou. Sentia-se bem ajudando-os. Importante. Haviam pessoas que dependiam dele. Dependiam. Ou usavam? Sua mão estremeceu segurando a arma. Necessitaram de sua bondade? Não. Apenas se aproveitaram de sua ingenuidade e, tal como o fracasso que sempre foi, ele aceitou passivamente, sorrindo, até, aquele abuso. Talvez tenha merecido aquilo, resignou-se. Sempre tirava notas mais altas do que os outros e jamais cobrava ou esperava agradecimentos pela ajuda. Ajudava, inclusive, aqueles que lhe davam apelidos que ele odiava. Aliás, ele nunca entendeu o porquê de certos apelidos específicos: jamais estudou mais do que o mínimo necessário. Não era bom nos esportes, é verdade, mas não queria abrir mão de sua vida social. Eram os outros que não lhe permitiam tê-la. Sua mão afrouxou. A culpa não era dele. Ou era? Afinal, ele era o diferente. Ele era a aberração, por mais que se considerasse certo. Não entendia, no ginásio, a obsessão dos colegas por relacionamentos que raramente ultrapassavam a duração de uma semana. O que ele pretendia era conhecer alguém que combinasse e ter com essa pessoa uma relação estável e duradoura. Nunca descobriu o que havia de errado nessa idéia, mas sabia pelo menos que ela estava errada, pois aparentemente nenhum de seus colegas concordava. E eles eram maioria. Notou naquela época que, de fato, pensava demais. Sentia demais. Talvez fosse mesmo seu principal defeito. Mas não podia mudar de repente, pois os colegas já o conheciam bem. Mudar a própria imagem não iria mudar a imagem que durante anos os outros criaram para ele. Decidiu naquela época que os novos colegas que iria conhecer no colegial veriam uma pessoa completamente diferente daquela que ele havia sido até então. Falso. Hipócrita. Mentiroso. Apertou a arma novamente, desta vez contra a têmpora. Talvez devesse mesmo morrer afinal de contas. Não sabia o que estava sentindo. Como já se recordara minutos antes, há muito não sabia o que era sentir. Desde os quinze anos ele havia se refugiado atrás de uma máscara de sarcasmo e insensibilidade. Suas notas não eram mais tão impressionantes como antes, mas ele estava curiosamente confortável num papel que não era seu. Achou que finalmente havia encontrado a resposta: não se importar. As preocupação jamais o deixaram, mas ele passou a ignorá-las. Era, talvez, a única maneira de tornar-se como "os outros". Ao invés de magoar-se com as opiniões alheias, passou a desprezá-las. Deixara de ligar-se emocionalmente a qualquer elemento, incluindo pessoas. Induvíduos passaram a ser apenas instrumentos para alcançar seus objetivos. Através do novo comportamento, os outros não mais o afastavam, mas ironicamente ele estava mais distante do que nunca. O sarcarsmo que o tornava popular expressava um genuíno ódio pelas pessoas. Certa vez, ainda no ginásio, depois de suportar insultos durante anos, ele agrediu um garoto de sua classe com uma cadeira. O garoto sofrera traumatismo craniano e acabou no hospital, enquanto ele sofrera uma suspensão. A primeira em toda a sua vida. Desde aquele incidente, ele deixou de conter sua raiva, liberando-a aos poucos na forma de comentários pouco sutis, que todos consideravam como "brincadeiras" ou "piadas". Quisera ele acreditar nisso. Sua mão continuava firme, mas seus olhos se abriram. O que ele havia se tornado? Nada, concluiu. A máscara havia mudado, mas ele nunca havia deixado de ser o garoto inseguro do primário, o impopular do ginásio e o insensível do colegial. Aquele que sofria nas mãos do irmão mais velho diariamente. Aquele que era esquecido pelos pais por ser o caçula. Aquele que era ridicularizado pelo banal fato de ser mais inteligente. Aquele que era rejeitado por garotas fúteis e superficiais. Aquele que... Uma lágrima escorreu pelo seu rosto ao mesmo tempo em que a arma chocou-se contra o chão, com um baque metálico. Afinal compreendeu, com um sorriso, sua existência. Durante anos ele havia acreditado que o humor negro desenvolvido no colegial tinha o ódio como fonte. Uma mentira em que, como tantas outras, ele havia acreditado. Na verdade, em cada insulto sarcástico, em cada comentário irônico, ele estava rindo de si mesmo. Da vítima indefesa que era. Chutou a arma para longe. Não merecia morrer. Nunca havia feito nada de errado. Sempre havia vivido em função de padrões alheios; estava na hora de viver por conta própria. Nunca havia se adaptado ao mundo, admitiu, mas o problema não era ele. Era o mundo. E apenas parte do problema havia sido eliminada. Correu e pegou a arma do chão. Ela ainda seria útil, pensou. Pela primeira vez em toda a sua vida, estava feliz. Nunca esteve errado. Sempre esteve certo. Todos os outros é que estavam errados, e descontavam sua frustração nele. Pela sua perfeição. Pela sua superioridade. Talvez fosse uma maneira hipócrita, se não pretensiosa, de enxergar a própria vida. Sorriu. Bem, isso era uma característica humana que ele iria se dar ao luxo de manter. Apenas parte do problema, repetiu mentalmente enquanto acariciava o revólver. Apenas parte. Lentamente afastou-se da casa abandonada onde, há minutos atrás, pretendia permanecer eternamente. Suicídio? Riu da idéia recentemente abandonada. Olhou novamente para o casebre onde havia deixado o passado, junto com os corpos baleados de seus pais, de seus irmãos e de seus colegas de classe. Não havia motivo para juntar-se a eles, uma vez que tudo o que ele quis em vida foi afastá-los. E finalmente sabia o motivo de sempre ter feito isso. Engatilhou a arma. Ainda haviam muitos outros como ele no mundo, que precisavam de um estímulo para despertar. Não, não era um epílogo. Era apenas o começo... |
Oi mamãe, tudo bom?
Eu estou bem, graças a Deus, faz apenas alguns dias que vc me concebeu em sua
barriguinha.
Na verdade, não posso explicar como estou feliz em saber que você será minha mamãe,
outra coisa que me enche de orgulho é ver o amor com que fui concebida.
Tudo parece indicar que eu serei a criança mais feliz do mundo!
Mamãe, já passou um mês desde que fui concebida, e já começo a ver como o meu
corpinho começa a se formar, quer dizer, não estou tão linda como você, mas me dê
uma oportunidade! Estou muito feliz!
Mas tem algo que me deixa preocupada...
Ultimamente me dei conta de que há algo na sua cabeça que não me deixa dormir,
mas tudo bem, isso vai passar, não se desespere.
Mamãe, já passaram dois meses e meio, estou muito feliz com minhas novas mãos e
tenho vontade de usá-las para brincar...
Mamãezinha me diga o que foi ?
Por que vc chora tanto todas as noites ?
Porque quando vc e o papai se encontram, gritam tanto um com o outro ?
Vocês não me querem mais ou o que? Vou fazer o possível parar que me queiram...
Já passaram tres meses, mamãe, te noto muito deprimida, não entendo o que está
acontecendo, estou muito confuso.
Hoje de manhã fomos ao médico e ele marcou uma visita amanhã.
Não entendo, eu me sinto muito bem...por acaso você se sente mal mamãe ?
Mamãe, já é dia, onde vamos ? O que está acontecendo mamãe?? Porque choras??
Não chore, não vai acontecer nada...
Mamãe, não se deite, ainda são 2 horas da tarde, não tenho sono, quero continuar
brincando com minhas mãozinhas.
Ei!!! O que esse tubinho está fazendo na minha casinha?? É um brinquedo novo??
Olha!!!
Ei, porque estão sugando minha casa?
Mamãe!!! Espere, essa é a minha mãozinha!!! Moço, porque a arrancou??
Não vê que me machuca??
Mamãe, me defenda!!!! Mamãe, me ajude!!! Não vê que ainda sou muito pequena
para me defender sozinha??
Mãe, a minha perninha, estão arrancando!!! Diga para eles pararem, juro a você
que vou me comportar bem e que não vou mais te chutar.
Como é possível que um ser humano possa fazer isso comigo?
Ele vai ver só quando eu for grande e fort.....ai.....mamãe,
já não consigo mais... ai... mamãe, mamãe, me ajude...
Mamãe, já se passaram 17 anos desde aquele dia, e eu daqui de cima observo como
ainda te machuca ter tomado aquela decisão.
Por favor, não chore, lembre-se que te amo muito e que estarei aqui te esperando
com muitos abraços e beijos.
Te amo muito,
Seu bebê.
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"Felizes das pessoas que têm a
capacidade de emocionar outras pessoas" (Bernadete Bayerl)
A vida é uma vai e vem
A vida é um vai vem.
De Constâncias e indefinições,
A ilusões e contradições.
De paixões sensatas e insensatas,
A conclusões inesperadas.
De impulsos domináveis,
A explosões intermináveis.
De descobertas conseqüentes,
A dificuldade de como aprender a ser gente.
A vida é um vai e vem;
De recepção a doação.
De vários tipos de necessidade,
A momentos de total felicidade.
De fases de sobriedade,
Ao descontrole de dignidade.
Do aumento da potencialidade,
À arruinação de uma mentalidade.
De encontros não percebidos,
A desencontros repetidos.
De tristezas indefinidas,
A saudades reprimidas.
a vida vai.
Vai com seu destino
E seus componentes.
Sua direção
e sua intuição
E a nós passageiros, muita ateção.
A vida vai e vem de maneiras diversas
Porem, jamais
Iguais.
(Bernadete Bayerl)
Meu Sonho
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangrenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso...
E galopas do vale através...
Oh! Da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?
Tu escutas... Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro quem és? _ que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!
(Alvares de Azevedo)