Passos

Procuro por meus passos e não mais reconheço o caminho que eles percorrem. Por algum lugar sei que caminhas.
Vivendo metades, me encontro onde não estou. Já não sou eu...

Meu coração descompassado com o tempo, oscila entre a realidade e a verdade.
Aquieta-se e apenas houve o som dos passos da minha alma, que vagueia por caminhos indefinidos.
Adormeço no mais fundo do meu ser...

Teu olhar, hoje tão distante, é o instante que seduz e o prazer que sacrifica.
O lençol que escorrega pelo meu corpo, é o mesmo que envolve o maior dos meus sonhos.
As mãos que descobrem meu desejo, sentido incompreendido, é como mesmo sem você saber fossem as tuas a me tocar.

Minha alma te ama, e depois chora como a onda desnorteada que arrebenta no rochedo solitário.
O céu, como que num pacto com o abismo da tua ausência, esconde as estrelas.

Meus olhos cansados de te buscar, fecham-se agora úmidos, como querendo cegar o coração.
Minhas mãos cansadas de delinear tua imagem, abrem-se agora vazias, como querendo te soltar.
Meu coração te culpa...minha razão te absolve.

As palavras acabam por morrer em meus lábios somente; mas meu coração sempre pronunciará teu nome.
O tempo contraria o desejo, confirma o impossível e me leva de ti...mas jamais te levará de mim.

Fernanda C. Scialla