CASA
GOTICA
GÓTICO
Origens e Fundamentos
Na literatura o termo gótico se refere a uma forma peculiar de romance popular
do século 18. É também conhecida como a "literatura do pesadelo".
Esse tipo de literatura emergiu como uma forma de romantismo, mas procurando mostrar
o lado mais negro e obscuro do ser. É uma mistura de terror, dor, morte,
horror, maldade, mistério, depressão...
Como são os Góticos
Em geral, a roupa é preta, o indivíduo geralmente é pálido e tem um ar
melancólico devido a grande depressão que habita em seu ser, comportamento
dramático, é inteligente, cabelo comprido, coturno, aprecia cemitérios,
livrarias, bibliotecas... Bom, mas isso é um esteriótipo. É claro que com o
calor que faz aqui no Brasil é difícil ver alguém todo encapotado de preto e
pálido. Por isso é mais correto classificar ou identificar o gótico pelo seu
comportamento. Os góticos tendem a ser anti-sociais, depressivos, apreciam um
bom livro, poesia, filmes...
Góticos e Vampiros
Na verdade, os góticos se identificam com os vampiros por estes serem, segundo
o folclore popular, criatura pálidas, sensuais, melódicas e aos mesmo tempo
sinistras. O gótico adota a imagem mórbida e sombria do vampiro. Vampiros,
assim como os góticos, apreciam a noite e a escuridão. APENAS ISSO!
Cemitérios
Há uma fixação por cemitérios. Existe uma paixão do gótico pelo medieval: desde
o tipo de escrita até a arquitetura e as roupas. Os cemitérios possuem dois
elementos que fascinam os góticos, sua arquitetura e a paz. É um lugar perfeito
para reflexão.
O
Sangue
Desde os primórdios
o sangue representa como ícone, o símbolo da vida. O sangue correndo por nossas
artérias e veias, sempre significou a continuidade do viver. A perda deste em
demasia significa a perda de consciência, respiração, movimentos e por que não
dizer, a vida. Cabe ainda dizer que apenas nos vivos, este sangue flui, nos
mortos, tal sangue perde esta mobilidade e coagula, sendo mantido no próprio
corpo durante a putrefação. Durante toda história o sangue possui algum
significado na área religiosa e ou relacionada com
sacrifícios, por exemplo, na era pagã, os nossos
antepassados, utilizavam deste como sacrifício, provocando o seu derramamento
para seus Deuses. Até mesmo hoje em dia o sangue ainda tem essa importância,
basta referirmos a Igreja Católica, onde na Eucaristia temos como representação
o corpo e o sangue de Cristo. Parece, então, apropriado que uma criatura, que é
a antítese entre a vida e a morte, receba seu vigor e vitalidade de sangue oriundos
de seres humano Para o vampiro, o ato
de se alimentar do sangue é o seu viver, seu cotidiano, sua necessidade.
Independente da origem ou da cultura deste. Com o avanço dos tempos, e
concomitantemente com a disponibilidade da tecnologia e medicina para as
grandes massas, esta necessidade do sangue para o
vampiro, sofreu suas modificações. Em alguns livros essa
necessidade fora relacionada a quadros anêmicos, hipovolemia, entre
outros. Até no Drácula, de Bram
Stoker, temos como citação uma transfusão de sangue feita em
Lucy, uma vampira, no intuito de purificar seu sangue. Sangue é
o que anima um vampiro, o que dá a este sua vitalidade, sendo que pode ser
oriundo de um animal ou mesmo de um ser humano. Para exercer qualquer movimento
ou atitude o vampiro necessita deste, pois o coração o bombeia para a região
que está em atividade. Devido a isso sua voracidade em obter tal sangue pode
ser relacionada a uma fera buscando
sua presa. Anne Rice, já dizia em seus livros que tal busca pelo sangue, para o
vampiro funcionaria como uma maldição ou um demônio que os faz agir de tal
forma, tão impulsivo, tão violenta.
As
Presas
Como anteriormente
citado, o vampiro necessita obter sangue para sua sobrevivência, sendo assim,
fora observado e citado em livros técnicos ou mesmo romances, a adaptação
morfofisiológica para a obtenção deste sangue, que viria de uma adaptação em
sua arcada dentária, com o alongamento de seus caninos, que podem ser
projetados, para que assim, o vampiro possuísse maior facilidade em atingir a
veia jugular no pescoço de sua vítima. O sangue também pode ser obtido via
artéria radial.
As
Unhas
Na História Antiga,
acreditava-se que um dos sinais característicos em um corpo, se este era ou não
um vampiro, eram suas unhas. Acreditava-se que com a entrada ao mundo
vampírico, a criatura perdia suas antigas unhas e desenvolviam novas, assim,
corpos exumados, em tal época, que apresentavam unhas resistentes, que mesmo
o corpo inteiro
sendo consumido pelo fogo, estas unhas se apresentassem inteiras, estes sofriam
logo a introdução de uma estaca em seu peito e eram colocados à luz do sol para
serem queimados. Já nos tempos modernos, dois grandes literatos citaram
modificações nas unhas vampíricas, Anne Rice, citava seus dois famosos
vampiros, Lestat e Louis, com modificações em suas unhas, sendo estas grossas,
afiadas, e opacas. Já em Drácula, Jonathan Harker cita as unhas de Drácula como
sendo longas, finas e extremamente afiadas.
Os
Sentidos
A visão de um
vampiro é impressionante. A história relata que por serem criaturas tipicamente
noturnas, seus olhos sofreram modificações anatomo-funcionais, absorvendo
melhor a luz do meio. Há correlações também com seu polimorfismo (capacidade de
transformação do vampiro em morcegos, lobos, etc.). Este desenvolvimento da
visão também explica porque os raios de luz solares são tão prejudiciais aos
olhos de um vampiro, pois são extremamente irritantes para suas retinas,
facilmente danificando sua estrutura. Quanto à audição, sabe-se que os vampiros
possuem uma sensibilidade auditiva extremamente
altas, infinitamente maior que a dos humanos, com
isso, ele pode perceber a
chegada de outros vampiros ou mesmo seres humanos, podendo se preparar para
defesa e ou se esconder.
Os
Cabelos
Na
era medieval, não temos nenhum relato quanto aos cabelos de um vampiro, porém
Anne Rice, cita em
seus livros, que após o ingresso ao mundo vampírico, o vampiro
permanece com seu corte de cabelo, não crescendo mais, e
mesmo se for cortado, retoma seu tamanho original.
A
Pele
Historicamente, a
pele dos vampiros era caracterizada como sendo escura e grossa, diferentemente
dos dias de hoje, onde o vampiro se apresenta em filmes e histórias com uma
pele extremamente branca e fria. A idéia de a pele vampírica ser escura surgiu
primeiramente com Paul Barber, que justificava tal fato, dizendo que os
vampiros eram como corpos degradando em suas criptas, logo deveriam se
comportar da mesma forma. Porém nos dias de hoje, tal fato é extremamente
combatido, pois se afirma que por serem criaturas tipicamente noturnas, os
vampiros não chegam a ver a luz do sol, logo, não ocorre atividade de seus
pigmentos responsáveis pelo escurecimento da pele e como conseqüência temos uma
pele branca e suave. Pode se também, observar uma pele rosada em um vampiro,
oriunda de sangue novo correndo por seu corpo. Anne Rice descreve a
pele do vampiro, como sendo transparente, obtendo a mesma cor da pele do ser
humano quando este se alimenta imediatamente de sangue, clareando aos poucos,
voltando a sua tonalidade transparente após tal processo. Lestat menciona em
diversos momentos o uso de pó, para deixar
sua pele com a coloração próxima a de um ser humano.
O
Coração
Único órgão ainda ativo em um vampiro, sendo
que os outros, por não uso, se atrofiam e perdem sua utilidade. O coração
funciona como uma bomba, porém, diferentemente do ser humano, não possui ritmos
característicos. O coração de um vampiro perde seu controle nervoso e seus
marca-passos naturais não tem mais atividade. O coração só funciona se for
necessária alguma movimentação, atitude ou reflexão. Para isto, ele é
responsável por enviar o sangue apenas para área em uso, assim, o gasto de
sangue é muito menor e o consumo, conseqüentemente, também diminui
A
Lenda
Presas afiadas sob
olhos bestiais, vigilantes na noite à procura de seu alimento que corre, vivo e
latente, no corpo de inocentes mortais. Cadáveres errantes transcendendo
séculos e séculos com o único propósito de manterem sua imortalidade através de
crimes hediondos acobertados por misteriosos poderes.É esta a primeira
impressão que vem à cabeça de um leigo quando a palavra VAMPIRO vem à mente. A
lenda dos vampiros nasceu há muitos séculos, nunca se soube quando ao certo,
mas é suposto 4000 a.c. O mais interessante de tudo é que não foi uma lenda
típica, nascida num único lugar. Praticamente TODAS as culturas do mundo,
daquela época até hoje, têm o seu vampiro em particular. Algumas até curiosas,
outras igualmente aterrorizantes. Quando a imprensa fora inventada e junto com
ela os primeiros jornais
e gazetas, já eram publicados pequenos contos de terror
envolvendo vampiros. Mas foi Bran Stoker, um escritor natural da Irlanda, quem
primeiramente escreveu um romance sobre o assunto. Drácula. Este talvez seja o
vampiro mais popular,
imortalizado pelos filmes de Hollywood. "Supertisções vulgares de um
Irlandês demente." já dizia Louis de Pointe du Lac no relato
"Entrevista Com O Vampiro". Mas teremos uma eternidade para comentar
sobre isto.
A
Origem
O mito do homem
imortal existe desde os primeiros registros históricos da humanidade. Alguns
dos livros mais antigos da humanidade, como a Bíblia e as Mil e Uma Noites, que
misturam registros verídicos com ficção, citam personagens que viveram uma
existência incalculável. Atravessaram séculos divulgando uma obra de caráter
místico e acabaram se tornando lendas de sabedoria. Muitos deles, com o
pretexto de evocarem a Deus, realizam rituais de sangue com seres humanos. Mas é possível que a evocação
tivesse apenas caráter egoísta de prolongamento da própria vida
através de acordo com entidades malignas. Esses homens, tomados às
vezes por profetas, magos, poetas e sacerdotes, devem ter sido os primeiros
vampiros a traçarem trilhas de sangue pelo planeta. Com o conhecimento
acumulado por séculos de existência, se escondiam facilmente atrás de uma
notável sabedoria que lhes permitia continuar a praticar seus crimes sem
despertarem suspeitas. Foram eles que disseminaram o culto da eternidade
através de alianças místicas realizado com o sangue de criminosos e inocentes.
Quase todas as culturas da Terra têm alguma lenda sobre seres meio humanos que
prolongaram a vida carnal se alimentando de sangue. O que existe na verdade é
uma confraria secular desses seres que se espalharam pelos quatro cantos do
mundo, contaminando outros escolhidos com a sede maldita, para que um dia
pudessem chegar a ter o poder total sobre os destinos humanos. Por isso, as lendas sobre
vampiros nos são contadas das mais diversas maneiras. No Egito antigo, o sangue
era derramado e bebido por sacerdotes de Set. A Bíblia também relata
sacrifícios de sangue, atribuindo-os às vezes à vontade divina. Entre os incas,
essa também era uma prática comum nas noites de solstício de inverno. Mas os
registros históricos mais recentes, depois da moralização cristã do mundo,
falam de vampiros que existiram entre criminosos e hereges que, mesmo depois de
enforcados, voltavam de suas tumbas para beberem o sangue dos incautos que se
aventuravam pelos caminhos obscuros da vida. A imagem de vampiros habitando
velhos cemitérios abandonados nos foi legada da Idade Média, quando esses
temiam ser encontrados pela Santa Inquisição e queimados na fogueira. A espécie
não foi extinta porque é provável que muitos deles se escondessem atrás da
própria Igreja, assumindo o lugar de padres, bispos e até Papa. A afirmação
pode parecer absurda tomando-se em conta que os vampiros temem os símbolos
sagrados. A verdade é que apenas os vampiros
do ramo fariseu e aqueles que forma contaminados por acaso (que são maioria)
temem a força dos objetos consagrados a Deus. O ramo conhecido como o dos
Homens que Não Devem Morrer é bastante esclarecido e possui um poder tão grande
que os deixa livre de qualquer influência mística desses símbolos. No entanto,
vale dizer que uma grande parte desse ramo é constituída por vampiros que têm
feito mais bem do que mal à humanidade. Isso porque os Homens que Não Devem
Morrer se originaram em rituais esotéricos que captam a bipolaridade da das energias
da natureza e com elas são capazes de se preservarem corporalmente (apesar de
não terem a juventude física) e seguirem seus caminhos, livres das influências
malignas concentradas nos demônios. Como é possível notar, existem vampiros de
diferentes espécies. Alguns trilham apenas caminhos sanguinários e não deixam
nada de positivo para a humanidade, enquanto outros se utilizam da longa
existência para ensinar novas alternativas de existência e conhecimento para a
cultura humana. O importante é saber que todos são feitos de trevas, e trevas
não passam de luz condensada, ou seja, é tudo uma ilusão do poder de destruição
e criação.
Drácula
O Príncipe Vlad Drácula, segundo filho de Vlad Dracul, governou o reino da Vallachia no sul da Transilvânia (hoje Romênia) durante o século XV. Ambos, pai e filho, foram introduzidos pelo Imperador de Roma como membros de uma secreta organização monástica e militar chamada Ordem do Dragão. Esta sociedade secreta deu ao velho Vlad o sobrenome de Dracul (o equivalente romano para Dragão) e o encarregou de lutar contra os inimigos da Igreja, fossem eles naturais ou sobrenaturais. Vlad passou a tratar seu filho com o título de Drácula _ o filho do Dragão ou Pequeno Dragão. Somente muito mais tarde o jovem Vlad adotaria o nome Tepes (o Empalador).
Naquela época de trevas a Transilvânia era um lugar instável, principalmente por se situar entre o cristão Império Romano e o islâmico Império Otomano. Enquanto os sultões turcos pressionavam os governantes da Transilvânia para que esta se convertesse ao islamismo, os reis de fé cristã ordenavam ao povo do reino que defendesse sua fé e funcionasse como muralha contra a má influência islâmica. Medo instabilidade e violência faziam parte do cotidiano.
O Pai do Dragão
Quando Dracul, o pai de Drácula, assumiu o trono deixado por seu pai Mircea, o Grande, recebeu a responsabilidade de reger uma terra abandonada pelos cristãos e constantemente ameaçada pelos invasores turcos.
Além disso Vlad se viu obrigado a travar uma verdadeira guerra contra os vampiros Tzimisce que infestavam o reino, capturando-os em suas moradas secretas e empalando-os. Ele recebeu alguma ajuda de seus companheiros da Ordem dos Dragões (bem como de Durga Syn, uma misteriosa vampira russa Abraçada pelos Ravnos), mas o resto da Europa preferia ignorar seus "reinos menos civilizados".
Naquela área, o representante do Sagrado Império Romano era o regente húngaro John Hunyadi. Apesar de participar das Cruzadas muito mais por dinheiro do que por "ideais elevados", os europeus o consideravam o maior dos cavaleiros da época. Era ele o responsável pelos fundos do Império na guerra contra os turcos.
Hunyadi, por sua vez, não simpatizava com o justo regente Dracul. Era seu desejo que o regente fosse destronado para que ele pudesse colocar no trono um de seus próprios "marionetes". Hunyadi então prometia ajudar Dracul com o dinheiro do Império, mas na verdade deixava-o à própria sorte enquanto os turcos minavam as forças do reino.
Como era de se esperar diante da situação, o exército do Sultão Murad II venceu a resistência, invadindo a Transilvânia e assassianando cada cidadão que cruzasse o seu caminho. Vendo-se diante dos muçulmanos que jurara matar, Vlad Dracul fez um pacto com os turcos: a partir daquele momento, ele e seu filho ajudariam os turcos a conquistar seu próprio povo.
Tudo não passava de um plano de Dracul: Vlad atacava as últimas áreas leais da Transilvânia e permitia ao povo a rendição, ao invés da escravidão pelos turcos. Enquanto levava grande parte do exército do sultão em ataques contra pequenos vilarejos, Vlad ordenava que seu filho mais velho, Mircea o Jovem, comandasse ataques surpresa contra importantes pontos estratégicos turcos. Aos poucos o jovem conseguiu retomar boa parte dos fortes que outrora haviam formado a defesa da Transilvânia.
Com o tempo, entretanto o sultão turco começou a desconfiar da lealdade do príncipe. Em 1444, convidou Vlad e seus três filhos para "desfrutar da hospitalidade" de seu palácio. Vlad pressentiu a armadilha, mas achou que poderia ludibriar o sultão. Deixou Mircea em casa, sabendo que seu filho mais velho poderia assumir a regência se ele não voltasse. Como esperado, o sultão tomou o príncipe e seus dois filhos como prisioneiros. Foi permitido a Dracul voltar a sua morada, mas seus dois filhos mais novos permaneceram como reféns a fim de assegurar a lealdade do regente.
Enquanto isso o "maior cavaleiro das Cruzadas" fez muito pouco. Ao invés de apoiar as reconquistas realizadas na Vallachia, Hunyadi lamentou as vitórias de Dracul _ encarou-as como conseqüencia de sua própria falta de ação. Em certo momento, incapaz de suportar a pressão do Papa e do povo europeu, planejou uma Cruzada decisiva.
Quando Hunyadi chegou à Vallachia com seu exército, Vlad tentou avisá-lo que as tropas eram insuficientes. Um misterioso profeta havia lhe dito que naquele momento "o sultão saia a caça com mais tropas". Mas Vlad preferiu ignorar os avisos e profecias, mandando seu próprio filho Mircea com suas tropas. Apesar das brilhantes táticas de Mircea (incluindo a utilização, pela primeira vez de um canhão nos exércitos romenos), o exército cristão em inferioridade numérica foi massacrado.
Mircea ajudou Hunyadi a escapar são e salvo mas, em seguida, exigiu que o cavaleiro fosse responsabilizado pela morte de seus comandados e punido por seus grosseiros erros táticos. A corte concordou com o raciocínio de Mircea e condenou Hunyadi à morte. Entretanto, utilizando-se de seus poderosos contatos, o hungaro conseguiu revogar a pena e imaginou um novo estratagema.
O cavaleiro entrou em contato com Vladislav, da família Danesti, primo de Drácula, e prometeu fazê-lo príncipe da Vallachia se matasse o príncipe Dracul. Vladislav ordenou que seus assassinos emboscassem Vlad e Mircea enquanto os dois lutavam contra os turcos, mas eles falharam... até que alguns vampiros Tzimisce ofereceram ajuda.
Os Tzimisce odiavam Vlad Dracul por suas sucessivas caçadas a vampiros, utilizavam poderes sobrenaturais para localizar o príncipe e seu filho. Mircea, o Jovem, foi enterrado vivo.
Vlad conseguiu iludir seus perseguidores o bastante para deixar um legado secreto: reuniu seu medalhão da Ordem dos Dragões, a espada de Toledo (que lhe fora dada pelo Imperador) e uma carta, entregando tudo a um de seus mais leais subordinados. Este foi instruído para entregar o pacote para seus herdeiros restantes. Poucas horas depois, os assassinos encontraram Vlad e o executaram.
Em acordo com Hunyadi, os Tzimisce colocaram Vladislav II no trono de Vallachia _ acreditando que a família de Mircea, o Grande, havia sido definitivamente exterminada.
O Filho do Dragão
O assassinato covarde de Vlad Dracul chocou o mundo Cristão, mas o sultão recebeu a notícia com triunfo. Hunyadi havia acabado com o único regente capaz de fazer frente contra ele, colocando um fraco e inconpetente líder em seu lugar.
Caso Vladislav mostrasse alguma resistência, Murad começou a educar os filhos de Dracul para servirem como seus "regentes marionetes". Como sultão, Murad tinha acesso aos maiores estudiosos do mundo: os garotos aprenderam como governar um reino, foram educados em ciências, línguas, técnicas turcas de batalha e filosofia grega.
Vlad Drácula se viu especialmente atraído pelos pensamentos Cínicos; estes defendiam que a conduta humana era totalmente motivada pelo interesse próprio. Drácula aprendeu também os misteriosos caminhos dos Sufis e outros místicos sagrados do mundo árabe (que pregavam um ponto de vista totalmente inverso).
Sua posição na corte dava-lhe o privilégio de observar as intrigas do Império Otomano e perceber quem realmente comandava. Ele viu como vampiros poderosos, pertencentes ao clã Assamita, manipulavam os fracos e controlavam importantes questões de estado. Somente os místicos mais esclarecidos entendiam a real extenção da influência do clã vampírico.
Os estudos de Drácula davam-lhe a força para superar a provação de seu cativeiro e abandono. Ele recusava se converter à causa du sultão e freqüentemente aterrorizava seus captores, que eram proibidos de puní-lo.
Seu irmão Rabu, por sua vez, foi totalmente influenciado pelos árabes _ inclusive na aparência e costumes. Rabu tinha especial predileção pelo harém real, um costume considerado extravagante pecado pelos reinos cristãos. Embora Rabu pudesse se tornar um regente mas subserviente, o sultão achou que a retomada do trono Vallachiano exigia a ferocidade e liderança de Vlad. Aos 23 anos, Vlad Drácula reclamou seu direito ao trono e assumiu-o em 1448, como "regente marionete" dos islâmicos.
Vlad soube, através de informantes, que os assassinos de Hunyadi estavam a caminho para executá-lo. Após apenas dois meses ocupando o trono, Drácula fugiu para a Moldávia onde encontrou abrigo. Hunyadi colocou Vladislav de volta ao trono da Vallachia, enquanto Vlad dava prosseguimento aos seus estudos _ agora sob tutela de monges cristãos. Isso fez com que ele fosse exposto à cultura humanista da Renascença européia e aos segredos da sabedoraia cristã.
Durante tal exílio, o leal servo de seu pai o encontrou e entregou-lhe o pacote contendo o medalhão, a espada e a carta. Nesta eram revelados vários segredos da regência do estado Vallachiano, incluindo informações vitais sobre os cristãos, muçulmanos, ciganos e Tzimisce (havia, inclusive, informações sobre a localização de antigos esconderijos de vampiros). A carta de Dracul revelou a seu filho que a Ordem dos Dragões sabia muito a respeito de como enfrentar espíritos malígnos como os vampiros.
Dracul escreveu: "Procure os conselhos da vampira Durga Syn. Somente ela, entre todos os outros filhos do demônio, ama esta terra como eu. Não se submeta aos muçulmanos ou aos vampiros Tzimisce. Ao invés disso, jogue-os uns contra os outros em nome de seu Povo. Ascender ao Trono da Vallachia é ascender à Cruz. Aquele que não aceita o sacrifício de bom grado encontrará somente tortura."
"Apesar da agonia que senti ao trair meus dois filhos entregando-os ao sultão, sacrifiquei você e seu irmão alegremente em nome do Trono, que é a Cruz. Se você não puder servir-se de sua própria família, o Trono irá destruí-lo. Mas se puder entender o motivo porque isso foi feito, e feito com júbilo, você poderá florescer num Trono de Espinhos. E sacrificar de bom grado tudo o que você tem, tudo o que você é e todoas as suas crenças em nome da Cruz, sua vida será eternizada."
A carta do pai instruiu Vald para se purificar, procurar um poderoso patrono, visitar a Ordem dos Dragões e reclamar seu trono. Vlad jurou sobre as relíquias que faria tudo isso.
E vingaria o assassinato de seu pai.
O Dragão Conspira
Na Vallachia, a fraqueza de Vladislav II havia se tornado fatal para o domínio cristão. Com poucos anos de pressão o sultão conseguiu transformá-lo de regente cristão em um vassalo a favor dos turcos.
Quando o mundo cristão se mostrou insatisfeito com o atual regente da Vallachia, Drácula assumiu um risco digno de seu pai: deixou o refúgio pacífico na Moldavia e partiu para o Castelo Hunedora. Vlad sobreviveu a emboscadas e assassinos, chegando à corte do maior líder cristão da região. Para a surpresa de dos cristãos, Drácula jurou lealdade a John Hunyadi, o assassino de seu pai.
O estratagema de Vlad funcionou perfeitamente. A corte de Hunyadi ficou impressionada com a coragem daquele jovem audacioso. Além disso, os antigos erros haviam feito com que Hunyadi perdesse sua regência sobre a Hungria. Naquele momento ele claramente precisava mais de um forte seguidor do que satistazer sua vingança contra a família Dracul. Ele então aceitou o jovem príncipe em sua corte, instruindo-os nos métodos de guerra Ocidentais e nas táticas contra os turcos.
Durante sua estadia na corte de Hunyadi, Drácula aprendeu três importantes segredos. Ele se tornou um mestre nas estratégias de ataque relâmpago dos protestantes, e também aprendeu as técnicas de montagem de tanques blindados medievais (que precederia os tanques modernos). Vlad, um expert nas táticas de batalha turcas, absorvia agora duas importantes táticas dos cruzados cristãos.
O terceiro segredo dizia respeito aos vampiros que tanto controlavam os destinos dos mortais. Secretamente ele falara com os ciganos e capturara hereges, aprendendo muito sobre os costumes e poderes do clã Tzimisce. Os homens de Hunyadi consideravam as histórias sobre vampiros apenas superstições, mas Vlad acreditava na palavra de seu pai. Ele aprendeu tudo o que podia a respeito das recém-formadas sociedades vampíricas, a Camarilla e o Sabá, através de velhos sábios romenos.
Após percorrer boa parte da Europa em busca de conhecimentos vampíricos, Vlad se juntou aos 23 membros do círculo interno da Ordem dos Dragões, solicitando ajuda para proteger os reinos cristãos das forças do mal.
Após cinco anos ao lado de Hunyadi, Drácula se tornou um mestre em tudo o que seu mentor pôde lhe ensinar, fazendo preparos secretos para reclamar o que era seu por direito. Menos de duas semanas após a súbita morte de Hunyadi, o príncipe atacou Vladislav II e retomou o Trono da Vallachia.
O Dragão Reina
Aos 25 anos, o príncipe já colocava em prática suas idéias com base nos erros cometidos pelo pai. Dracul havia tentado servir a dois mestres, e acabara não servindo a nenhum. Drácula estava determinado a evitar esse destino, prestando lealdade a ninguém além do próprio povo romeno.
Todos à sua volta, da própria corte até o sultão e os Tzimisce, esperavam se aproveitar em algum momento da inexperiência do jovem príncipe. A corte foi a primeira a tentar algo, buscando tumultuar o reinado de Vlad como havia feito seu pai e seu avô, jogando mais uma vez os Danesti contra os Dracul. Mas Drácula não esperaria sentado pela armadilha que se fechava a sua volta...
Vlad moveu-se antes de seus adversários, matando os membros da guarda pessoal de Vladislav II _ e qualquer herdeiro do sexo masculino que pudesse vir a reclamar o trono um dia. Com a oposição em seu próprio terreno minada, Vlad montou uma poderosa força militar de mercenários leais a ele. Os recrutados eram de grupos étnicos variados (ciganos, cristãos, muçulmanos...), instruídos para cooperarem entre si, treinados nos métodos de combate cristão e muçulmano e na arte da execução de vampiros. Os que mais se destacaram formaram uma força de elite que Drácula chamou de "Machados", seus empaladores principais.
Quando os nobres da corte, munidos de um desafiante pretendente ao trono mandaram um exército pessoal contra ele, Drácula armou uma emboscada e matou todos. Então convocou os nobres culpados pelo ataque para uma ceia de Páscoa e os recebeu pomposamente.
A certa altura da ceia, Vlad perguntou a todos: "De quantos príncipes da Vallachia vocês querem se lemrar?" Alguns recordaram cerca de trinta. Drácula disse então que a corte era culpada pela alta rotatividade de príncipes, devido a seus "jogos de intriga". Então chamou por seus Machados que empalaram todos os nobres e suas esposas. Os filhos foram levados até as montanhas, onde foram obrigados a trabalhar na construção do Castelo Drácula até a morte. As vagas eram preenchidas pelos soldados mais leais. Vlad promoveu pessoas comuns a nobreza como nenhum outro regente.
O castelo se tornou uma obra-prima da engenharia defensiva, com túneis secretos que levavam diretamente às montanhas. Assim como seu avô havia feito, Drácula construiu uma linha de fortes na fronteira do reino Islâmico, a fim de reforçar suas defesas no caso de um ataque. Além disso, foramconstruídas pequenas fortificações secretas nas montanhas, supridas com mantimentos para o caso de uma emergência.
Vlad tratou de fortificar suas alianças também. Ele ganhou a simpatia dos clérigos do reino graças ao entusiasmo com que comparecia aos rituais, donativos dados à Igreja e construção de monastérios. Além disso, Drácula sempre tratava de dar enterros cristãos às vítimas que empalava. O príncipe tomou o cuidado de não desafiar os Tzimisce por hora, mas mandou que seus Machados espionassem as atividades do clã. Cavaleiros foram enviados à procura de Durga Syn, mas ela não foi encontrada.
Na corte Drácula era um regente duro, decisivo e inquestionável. Seus comandos eram lealmente obedecidos por suas tropas e pelo povo romeno, que identificava nele um pouco de seu pai e seu avô. O bem-estar de seu povo era sua prioridade e ele sabia que precisava das bençãos deles se quisesse sobreviver e florescer.
Com os assuntos internos resolvidos, Vlad voltava sua atenção para assuntos externos. Com a ajuda de seu leais servos, o príncipe descobriu espiões da nobreza Vallachiana, do Sagrado Império Romano e do Império Otomano; cuidou, então, para que fossem todos alimentados com informações falsas. Ele, por sua vez, recebia notícias vitais de seus espeiões e seus companheiros da Ordem dos Dragões, muitos dos quais eram príncipes e chefes de estado.
Drácula rea conhecido como um líder forte e um homem com quem não se devia brincar. Quando os alemães enviaram quarenta homens à Vallachia para aprender o "idioma romeno", Drácula perguntou porque eles não haviam viajado diretamente para a Hungria ou para a parte de seu país que fazia fronteira com a Transilvânia. Como nenhum deles foi capaz de dar uma resposta satisfatória, Drácula ordenou que todos fossem empalados como espiões.
Os alemães saxões da Vallachia levantaram-se para derrubar Vald, mas ele comandou uma série de ataques retaliatórios e empalou cada camponês que encontrou pelo caminho. Quanto mais os inimigos o cercavam, mais elaboradas as torturas se tornavam.
Tudo isso levou ao confronto mais importante até aquele momento _ não contra os turcos, mas contra os vampiros. Drácula sabia da prsença de Tzimisces disfarçados em seu reino, mas não deixava que os mesmos subessem de seu conhecimento. Quando um jovem com a força de dez homens cheio de ferimentos de espadas interrompeu uma sessão norturna de empalamento em um dos fortes do rebelde DanIII, os Machados de Drácula sabiam o que era e como enfrentá-lo. Empalaram o vampiro com uma estaca no coração e o levaram para o castelo Drácula. Lá, Vlad o prendeu, retirou a estaca e serviu-se de seu sangue, sentindo uma estrnha força percorrer seu corpo e um extremo desejo de conquista a dominá-lo. Ele gratificou seus Machados com uns poucos goles do sangue do vampiro e passou a planejar seu glorioso futuro.
Este era um dos motivos porque o empalamento era a execução preferido de Drácula; era o único meio de dar cabo dos vampiros sem que a população percebesse a real natureza do inimigo. Drácula empalou mais três Tzimisces durante este período e bebeu seu sangue.
Embora os Tzimisce tivessem preferência pelos Danesti e não gostassem dos abusos de Vlad, eles admiravam a coragem dele e respeitavam-no mais do que a qualquer outro pretendente ao trono. Alguns queriam matá-lo, outros queriam torná-lo um Tzimisce. De qualquer form, o clã havia acabado de ingressar no Sabá e sua guerra contra os elderes mantinha-os ocupados para que pudessem tomar qualquer resolução quanto a Vlad.
Drácula havia desenvolvido uma facinação por sangue. Criados surpreendiam-no molhando seu pão no sangue de seus inimigos torturados. Alguns achavam que este era só um método para intimidar os inimigos, mas a verdade é que ele agora apreciava sangue. Humano.
Com seu reino seguro e sua força pessoal aumentada pela constante ingestão de sangue, Drácula planejou sua guerra contra os turcos...
O Dragão Ataca
As constantes provocações de Vlade sua resistência às tentativas de torná-lo um marionete do Islã faziam com que o novo sultão, Mehmed II, tivesse cada vez menos paciência com o príncipe de Vallachia. Por sua vez, quando o Papa convocou uma nova Cruzada contra o unificado Império Otomano, somente Drácula estava pronto para ir a guerra, fazendo com que o Papa tivesse certa preferência por ele.
Vlad fazia de tudo para provocar o sultão, que finalmente convidou o príncipe para viajar a Constantinopla e "discutir" a situação. O príncipe riu diante de um tentativa tão grosseira de seqüestrá-lo, respondendo que não tinha dinheiro para bancar as despesas da viagem! Além disso, se deixasse o reino, este correria o risco de ser tomado por seus inimigos saxões.
Ele esperou até o inverno, quando o rio Danúbio congelava, para então aceitar o convite do sultão. Para tanto solicitou que o sultão enviasse um importante paxá muçulmano para governar a Vallachia enquanto Drácula estivesse fora. O sultão concordou, mandando também um espião para acompanhar a viagem de Drácula.
Vlad empalou o paxá, suas tropas e o espião. Disfarçado como paxá, Drácula levou tropas suas até um dos fortes construídos por seu pai. Falando a língua turca perfeitamente, o príncipe ordenou que os muçulmanos abrissem os portões, invadiu o forte com suas tropas e assassinou todos que se encontravam lá dentro. Aproveitando-se do congelamento do Danúbio, Vlad levou suas tropas a fim de realizar ataques-relâmpago aos fortes turcos.
A Europa ficou impressionada com os feitos de Vlad, mas não enviou qualquer ajuda. O sultão por sua vez, mobilizou um dos maiores exércitos da história para conquistar o pequenino reino da Vallachia de uma vez por todas.
O que se seguiu foi uma série de vitórias por parte do exército Vallachiano. As forças do sultão eram maiores, mas Vlad usava e abusava das técnicas e extratégias que havia aprendido tanto no mundo cristão quanto no árabe. Os exércitos de Drácula faziam ataques-relâmpago a pontos estratégicos e desapareciam antes que o adversário desse conta do acontecido. A fidelidade de seus seguidores era garantida graças a firme liderânça. Os feridos em batalha eram generosamente recompensados; os covardes eram empalados. O sangue vampiro nas veias do príncipe dava-lhe força e coragem sobre-humanas, e inspiravam as tropas a atos de coragem e bravura. Por fim, temendo as forças de Vlad, o sultão ordenou uma retirada em massa. A fantástica vitória de Vlad fez dele um grande herói no mundo crstão.
Vendo que não poderia vencer Vlad pela guerra, o sultão resolveu utilizar-se de um estratagema freqüente entre os nobres da Vallachia. Ele oferecia suporte a um pretendente ao trono e mandaria o usurpador de dentro. Embora o príncipe tivesse exterminado cada um que pudesse vir a ter direito ao trono da Vallachia, havia apenas um do qual ele não havia dado cabo. Seu próprio irmão, Rabu.
O Dragão Cai
Rabu conseguiu convencer vários nobres a apoiá-lo, e muitos permitiram que os exércitos turcos passassem livremente por suas cidades. Os nobres passaram, então, a jogar o povo contra Drácula, espalhando a notícia de que o príncipe pretendia empalar a todos na Vallachia.
Com sua defesas na fronteira abertas graças a traição, Drácula viu seu Castelo sob ataque. Sua amante se atirou de uma das janelas da torre, preferindo a morte à escravidão pelos turcos. Com a ajuda de seus Machados e leais servos, Drácula fugiu através dos túneis, enquanto seu irmãoRabu assumia o trono da Vallachia.
Sem suas tropas e sem novas doses de sangue vampírico, Vlad se tornou tão fraco quanto qualquer ser humano. Seus pedidos de ajuda a Matthias, rei da Hungria e filho de Hunyadi, foram negados. Os líderes europeus haviam se acostumado à manipulação dos vampiros do Sabá e da Camarilla, e agora que ambos os grupos estavam ocupados demais tentando garantir sua sobrevivência imortal, se viram indecisos e relutantes sem a presença deles.
Rabu fez um acordo com Matthias, que ludibriou Vlad e o capturou. Drácula esperava que o mundo cristão reagisse com revolta ao saber de sua prisão e da traição que sofrera, mas isso nunca aconteceu. Os alemães haviam espalhado uma propaganda massiva contra ele através de toda a Europa, retratando-o como um louco torturador, mais selvagem que os próprios turcos.
Olhadas fora do contexto em que ocorreram, as ações de Drácula pareciam fruto do trabalho de um monstro. Justamente pelo fato do termo Dracul significar "demônio" (além de dragão) na língua romena, os servos de um monge inimigo de Drácula convenceram boa parte da Europa de que Vlad era um enviado de Satã, e não um cavaleiro da Igreja. Para piorar as coisas o Papa que admirava Drácula faleceu sem deixar nenhuma autoridade que pudesse contar a verdade.
Como servo dos islâmicos, Rabu quebrou sua promessa com os reinos das fronteiras e permitiu que os turcos dizimassem a Vallachia. Sem alternativa, Matthias libertou Drácula e ofereceu-lhe apoio para retomar o trono. Quando Rabu sucumbiu ante o exército da Moldávia, Vlad casou-se com a família Hunyadi e assumiu o trono pela primeira vez.
Drácula encontrou um reino infestado do Sabá. Ele não teve dificuldade alguma em capturar os novos vampiros, restaurando a força e a resistência sobre-humana de seus Machados.
Vlad retomou os ataques turcos, vencendo sucessivamente. Entretanto, o sabor da conquista já não era o mesmo. Seu período na prisão havia feito com que ficasse ciente de sua própria mortalidade. Ele via sua viad mortal como um breve relâmpago na história, e a vida vampírica como uma eternidade de descobertas.
Seus cavaleiros finalmente encontraram Durga Syn, que acompanhara a trajetória de Vlad com interesse. Os dois conversaram por longo tempo. Após aprender tudo o que podia com três dos maiores mestres da guerra de seu tempo _ Dracul, Murad e Hunyadi _, ele se sentia grato por ser agora protegido de uma pacificadora.
Utilizando-se do conhecimento de Durga Syn, Drácula manipulou os Justicars da Camarilla de modo que eles viessem a interceptar um grupo Sabá que seguia em direção da Vallachia, com intuito de assassiná-lo.
Após a batalha entre os dois grupos, os Machados de Vlad capturaram o mais jovem dos vampiros presentes (os mais antigos haviam entrado em torpor) e o levaram ao Castelo Drácula. O príncipe levou o vampiro (que se chamava Lambach) até as câmaras de tortura e acorrentou-o sobre uma enorme estaca. Seus guardas comandavam um mecanismo que podia fazer a estaca atravessar o vampiro com um simples toque.
Drácula fez uma propósta ao jovem vampiro: permitira que ele vivesse se Abraçasse o príncipe e o deixasse livre do Laço de Sangue. Lambach concordou e Vlad Drácula tornou-se vampiro.
O príncipe cumpriu sua palavra e libertou Lambach com um aviso: os Tzimisce podiam esperar uma visita sua em breve.
O Dragão Eterno
Drácula passou a se importar cada vez menos com as intrigas da corte e do mundo mortal. Ele forjou sua própria morte e colocou um "marionete"em seu lugar no trono da Vallachia. Durga Syn partiu, prometendo retornar.
Durante o princípio das duas organizações, Vlad passou muito tempo entre o Sabá e a Camarilla. Embora fosse tecnicamente um Tzimisce, ele não devia aliança a nenhum clã. Drácula apreciava a liberdade do Sabá, mas preferia a companhia dos sábios vampiros da Camarilla aos selvagens e rebeldes membros da outra seita.
Após ajudar a formar as bases da Camarilla, ele abandonou a seita em descosto; seus líderes eram deliberadamente cegos aos perigos do Laço de Sangue e dos Atediluvianos. Ele passou a fazer parte do Sabá e lutou contra muitos dos seus antigos aliados, mas prudentemente evitando qualquer conflito com seus amigos mais íntimos da Camarilla. Logo ele acabou num impasse ao lidar com os selvagens e rebeldes membros do Sabá e deixou suas fileiras. Os que tiveram audácia suficiente para tentar puní-lo por sua desersão eram destroçados em pedaços menores que uma polegada.
Posteriomente, Drácula ingressou na seita de elders independentes chamada Inconnu, que buscava incessantemente uma cura para a sede de sangue dos vampiros. Os membros desta seita se envolviam com demônios a fim de alcançar seus objetivos, mas Drácula sempre se manteve à parte destes procedimentos.
Através dos tempos, Drácula se tornou cada vez menos obsessivo com opoder pessoal e mais preocupado em atingir a Golconda. Quanto mais poder ele ganhava, menos o poder o contentava e mais ele desejava conquista a si mesmo.
Ele percebeu um paralelo entre a Golconda e as tradições místicas islâmicas, cristãs e ciganas que havia estudado quando jovem. Acreditava que todos os seres humanos podiam ser livres de seus demônios interiores, e jurou um dia alcançar este estado.
Drácula tentou viver na anonimidade, mas as histórias espalhadas a respeito do "príncipe louco da Vallachia e suas estacas sangrentas" espalharam-se pela Europa e frustraram suas esperanças. Rumores sobre um enigmático místico do Inconnu se espalharam pela comunidade vampírica e contrastavam com as fábulas sobre sua legendária crueldade quando mortal.
A despeito de seus esforços, Drácula não pode deixar seu passado para trás e permeneceu um alvo fácil para seus inimigos do Sabá, da Camarilla e da Inquisição. Quando espalhou a idéia de que os Atediluvianos eram um perigo para todos os membros, os clãs contra-atacaram seus esforços usando seus aliados humanos e vampiros. Após ele ingressar no Inconnu, no século XIX, servos humanos de antigos vampiros progenitores chegaram muito perto de destruí-lo. Vlad conseguiu mantê-los distantes atracés de um simples estratagema: transformou a história de sua vida no mito de Drácula.
Agindo através de um estudioso romeno, ele alimentou o impressionável escritor vitoriano Bram Stoker com o rico material da história de sua vida. Inspirado por sua própria musa, Stoker criou uma tapeçaria de medo e pesadelo, que explodiu nas mentes de seu tempo.
A história de Drácula tocou tão profundamente os leitores de todo o mundo que praticamente aniquilou os esforços daqueles que o caçavam. Enquanto as histórias sobre vampiros eram lendas presentes e ameaças críveis, os inimigos de Vlad podiam seguramente confiar na ajuda de cidadãos temerosos; mas quando o vampiro se tornou um entretenimento popular, mesmo as pessoas mais ingênuas se tornavam cínicos convictos. Na mente das massas vampiros existiam nos pesadelos e nas sombras; mas um vampiros famoso visto em cada cinema do mundo não passava de mera diversão, uma ficção inacreditável mesmo nas altas horas da noite.
Mesmo os camponeses mas supersticiosos despresavam aqueles que caçavam um ser obviamente mítico como Drácula. Onde os inimigos do vampiro uma vez haviam encontrado pessoas assustadas e cooperativas, agora recebiam despreso e pouco caso.
Ironicamente, mesmo os cidadãos mais cultos se encontravam especialmente predispostos a negar a existência de vampiros, por mais forte que fosse a evidência. Ao promover o mito de Drácula, Vlad foi mais eficiente em proteger a Máscara do que qualquer outro vampiro antes dele.
Com sua segurança assegurada, Drácula passou a explorar a história mítica da Terra, viajando e encontrando seres que sequer imaginava existirem. Mesmo hoje ele ainda procura os caminhos da iluminação para se livrar de suas trevas interiores. Há muito tempo ele abriu mão do mundo dos homens e agora busca respostas para os enigmas da Família e dos mortais.
Alguns elderes sustentam a teoria de que Vlad já completou seu objetivo e encontrou a paz na Golconda. Outros dizem que isso ainda não ocorreu, mas está muito próximo _ mais que qualquer outro vampiro. Uns poucos pensam que ele não está mais perdendo tempo, e os restantes acreditam que sua "busca" é apenas disfarce para seu real objeivo: conquistar o poder ods Atediluvianos.
Vlad teme o retorno dos Antediluvianos, o caos e a morte que virão a seguir. Ele tentou avisar tanto o Sabá quanto a Camarilla através do Inconnu, mas acha que ambos os grupos têm somente uma visão parcial da real proporção do conflito vindouro. E só terão consiência do perigo verdadeiro quando for tarde demais.
Poesias
NOITE
No véu do tempo
O vento carregou meu pranto
Meu riso e o fel das estáticas noites
Noites seguidamente disfarçadas de novas
Aguçando a ansiedade daqueles que esperam
Esperam... esperam...
Esperam talvez que no amanhã ela se disfarce diferente
Que na escuridão do seu manto ela venha clara e límpida
Nos corações das esquinas, dos bares...
E dos lares que preferem dormir a vê-la nos seus envolventes
disfarces
Penetrantes disfarces que de tão envolventes
Encharcam a alma dos que esperam
Antes nunca tê-la visto
Pois quem a viu blasfema ao negar seus poderes, seu império
Quem presenciou seu domínio, dominado está
Na boca as palavras, mas no sangue contaminado
A paúra de não mais vê-la
De não mais tê-la trazendo esperanças...
Soberana noite que traz ao mortal homem
Presas e vida eterna, garras e manta de pélos
As damas empresta sedução e o poder de misteriosamente
desaparecerem
Que só a ela cabe...
Noite que muito viu, que muito sabe
Mas guarda os segredos na espreita de novos discípulos...
Extraído do Livro "POR UM TRIZ"
Autora - Mariliz Marins
ABATE
Eu...tu...
Noite de puro prazer.
E se amanhã pensares que fui uma presa,
Digo-te desde já, engana-te.
Pois, de mim, só querias o abate.
A sensação de domínio,
A sensação de vitória,
O macho orgulhoso de seu desempenho,
E eu naquela noite realmente te quis.
Daquela noite saí saciada daquilo que quis...
Percebi cada centímetro do teu corpo,
Mergulhei profundamente no teu ser...
Viajei até teu âmago...
Sem que tu, garoto ingênuo, percebesse,
Captei teus segredos,
Absorvi sem cessar tua energia,
E capturei, então, a essência de tua alma...
ANJO NEGRO
Quem nunca sonhou com ela?
Sonho...ou pesadelo???
Não sei...
Depende de como ela te surpreenda.
Se tentas esquecê-la
Ou já pedes por ela.
Tormento dos teus pensamentos,
Alívio das tuas dores.
Se já te encontras cansado
Ou tens mil caminhos de escolha.
Ela...
Da realidade, a mais cruel.
Ela...
Benção dos teus sofrimentos.
Ela...
O desconhecido.
Ela...
O que cedo ou tarde, nesta incerta passagem se pode esperar, pois, sempre
comparece.
O sentido existencial ou o supremo blefe.
A tragédia.
O descanso
A verdadeira igualdade social, física e olfativa.
A verdade...,ou a mentira.
Ela,
Soberana,
Total.
Fatal.
INSTINTO PRIMITIVO
Procura incessante...
Explosão de instintos...
O roçar em choque de corpos.
Querer desvendar o mistério da alma,
Chegar próximo ao âmago.
Quanto mais forte e intensa a fricção dos amantes.
Mais vibrações transcendem ao material.
Corpos perdem a razão,
Retornam ao primitivo.
A inteligente irracionalidade instintiva.
Uivos, sussurros, gemidos.
Palavras sem sentido...êxtase.
O poder da desmaterialização, enfim.
O viajar ao cosmos...
Uma porta aberta ao infinito...
Um feixe de luzes tal qual relâmpagos
A cegar olhos que alucinam,
Arremetendo partículas de corpos flutuantes,
A comunhão com o etéreo...
VAMPIRA
Eu,
Objeto de desejos contidos,
Fruto suculento instigando furores libidinosos.
Eu, animal.
Eu, instinto.
Eu...fatal.
Aparentemente bela,
Superficialmente frágil,
Tal qual um frasco de veneno
Que, quebrando, esvai-se pelos solos, tornando-os inférteis,
E, se ingerido,
Torna-se sem solução.
Veneno do qual vários seres imploram antídoto.
Porém, um mórbido prazer me faz negá-lo.
E a crueldade em mim presente torna-me irresistível a incansáveis seguidores
masoquistas.
Súditos suplicando migalhas do meu amor,
As quais prefiro lançar aos ventos, aos mares,
À Natureza, alcova dos meus segredos,
Que a mim empresta os seus mistérios,
E me faz encantadora sugadora de energias
A seu serviço,
A serviço da bola incandescente.
Do início do Universo,
Do ápice da existência.
Eu, energia...Eu, bela...Eu, fatal...
Arrasando corpos e colecionando almas,
À procura do encontro supremo,
O encontro com a minha própria existência...
- OS ANJOS DA MEIA NOITE
-
- PHOTOGRAPHIAS
-
- Quando a insônia, qual lívido
vampiro,
- Como o arcanjo da guarda do
Sepulcro,
- Vela à noite por nós,
- E banha-se em suor o
travesseiro,
- E além geme nas franças do
pinheiro
- Da brisa a longa voz ...
-
- Quando sangrenta a luz no
alampadário
- Estala, cresce, expira, após
ressurge,
- Como uma alma a penar;
- E canta aos quizos rubros da
loucura
- A febre - a meretriz da
sepultura
- A rir e a soluçar...
-
- Quando tudo vacila e se
evapora,
- Muda e se anima, vive e se
transforma.
- Cambaleia e se esvai...
- E da sala na mágica penumbra
- Um mundo em trevas rápido se
obumbra...
- E outro das trevas sai...
-
- ........................................................................
-
- Então... nos brancos mantos
que arregaçam
- Da meia-noite os Anjos alvos
passam
- Em longa procissão!
- E eu murmuro ao fitá-los
assombrado:
- São os Anjos de amor de meu
passado
- Que desfilando vão...
-
- Almas, que um dia no meu peito
ardente
- Derramastes dos sonhos a
semente,
- Mulheres, que eu amei!
- Anjos louros do céu! virgens
serenas!
- Madonas, Querubins ou
Madalenas!
- Surgi! aparecei!
-
- Vinde, fantasmas! Eu vos amo
ainda;
- Acorde-se a harmonia à noite
infinda
- Ao roto bandolim ...
-
- .....................................................................
-
- E, no éter, que em notas se
perfuma,
- As visões s'alteando uma por
uma...
- Vão desfilando assim!...
-
- 1a SOMBRA
-
- MARIETA
-
- Como o gênio da noite, que
desata
- O véu de , rendas sobre a espádua
nua,
- Ela solta os cabelos... Bate a
lua
- Nas alvas dobras de um lençol
de prata
-
- O seio virginal que a mão
recata,
- Embalde o prende a mão...
cresce, flu
- Sonha a moça ao relento... Além
na
- Preludia um violão na
serenata!...
-
- ...Furtivos passos morrem no
lajedo...
- Resvala a escada do balcão
discreta...
- Matam lábios os beijos em
segredo...
-
- Afoga-me os suspiros, Marieta!
- Oh surpresa! oh palor! oh
pranto! oh medo!
- Ai! noites de Romeu e Julieta.
. .
-
- 2a SOMBRA
-
- BÁRBORA
-
- Erguendo o cálix que o Xerez
perfuma.
- Loura a trança alastrando-lhe
os joelhos,
- Dentes níveos em lábios tão
vermelhos,
- Como boiando em purpurina
escuma;
-
- Um dorso de Valquíria... alvo
de bruma,
- Pequenos pés sob infantis
artelhos,
- Olhos vivos, tão vivos, como
espelhos,
- Mas como eles também sem
chama alguma;
-
- Garganta de um palor
alabastrino,
- Que harmonias e músicas
respira...
- No lábio - um beijo... no
beijar - um hino;
-
- Harpa eólia a esperar que o
vento a fira,
- — Um pedaço de mármore
divino...
- — É o retrato de Bárbara -
a Hetaira. —
-
- 3a SOMBRA
-
- ESTER
-
- Vem! no teu peito cálido e
brilhante
- O nardo oriental melhor
transpira!
- Enrola-te na longa cachemira,
- Como as judias moles do
Levante,
-
- Alva a clâmide aos ventos -
roçagante...
- Túmido o lábio, onde o saltério
gira...
- Ó musa de Israel! pega da
lira...
- Canta os martírios de teu
povo errante!
-
- Mas não... brisa da pátria
além revoa,
- E ao delamber-lhe o braço de
alabastro,
- Falou-lhe de partir... e
parte... e voa. . .
-
- Qual nas algas marinhas desce
um astro...
- Linda Ester! teu perfil se
esvai... s'escoa...
- Só me resta um perfume... um
canto... um rastro...
-
- 4a SOMBRA
-
- FABÍOLA
-
- Como teu riso dói... como na
treva
- Os lêmures respondem no
infinito:
- Tens o aspecto do pássaro
maldito,
- Que em sânie de cadáveres se
ceva!
-
- Filha da noite! A ventania
leva
- Um soluço de amor pungente,
aflito...
- Fabíola!... É teu nome!...
Escuta é um grito,
- Que lacerante para os céus
s'eleva!...
-
- E tu folgas, Bacante dos
amores,
- E a orgia que a mantilha te
arregaça,
- Enche a noite de horror, de
mais horrores...
-
- É sangue, que referve-te na
taça!
- É sangue, que borrifa-te
estas flores!
- E este sangue é meu sangue...
é meu... Desgraça!
-
- 5a e 6a SOMBRAS
-
- CÂNDIDA E LAURA
-
- Como no tanque de um palácio
mago,
- Dous alvos cisnes na bacia
lisa,
- Como nas águas que o
barqueiro frisa,
- Dous nenúfares sobre o azul
do lago,
-
- Como nas hastes em balouço
vago
- Dous lírios roxos que
acalenta a brisa,
- Como um casal de juritis que
pisa
- O mesmo ramo no amoroso
afago....
-
- Quais dous planetas na cerúlea
esfera,
- Como os primeiros pâmpanos
das vinhas,
- Como os renovos nos ramais da
hera,
-
- Eu vos vejo passar nas noites
minhas,
- Crianças que trazeis-me a
primavera...
- Crianças que lembrais-me as
andorinhas! ...
-
- 7a SOMBRA
-
- DULCE
-
- Se houvesse ainda talismã
bendito
- Que desse ao pântano - a
corrente pura,
- Musgo - ao rochedo, festa - à
sepultura,
- Das águias negras - harmonia
ao grito...,
-
- Se alguém pudesse ao infeliz
precito
- Dar lugar no banquete da
ventura...
- E tocar-lhe o velar da insônia
escura
- No poema dos beijos -
infinito...,
-
- Certo. . . serias tu, donzela
casta,
- Quem me tomasse em meio do
Calvário
- A cruz de angústias que o meu
ser arrasta!. . .
-
- Mas ,se tudo recusa-me o fadário,
- Na hora de expirar, ó Dulce,
basta
- Morrer beijando a cruz de teu
rosário!...
-
- 8a SOMBRA
-
- ÚLTIMO FANTASMA
-
- Quem és tu, quem és tu,
vulto gracioso,
- Que te elevas da noite na
orvalhada?
- Tens a face nas sombras
mergulhada...
- Sobre as névoas te libras
vaporoso ...
-
- Baixas do céu num vôo
harmonioso!...
- Quem és tu, bela e branca
desposada?
- Da laranjeira em flor a flor
nevada
- Cerca-te a fronte, ó ser
misterioso! ...
-
- Onde nos vimos nós? És
doutra esfera ?
- És o ser que eu busquei do
sul ao norte...
- Por quem meu peito em sonhos
desespera?
-
- Quem és tu? Quem és tu? - És
minha sorte!
- És talvez o ideal que
est'alma espera!
- És a glória talvez! Talvez a
morte!
-
QUANDO A INSÔNIA,
qual lívido vampiro,
Como o arcanjo da guarda do Sepulcro,
Vela à noite por nós,
E banha-se em suor o travesseiro,
E além geme nas franças do pinheiro
Da brisa a longa voz...
Quando
sangrenta a luz no alampadário
Estala, cresce, expira, após ressurge,
Como uma alma a penar;
E canta aos guizos rubros da loucura
A febre — a meretriz da sepultura —
A rir e a soluçar...
Quando tudo
vacila e se evapora,
Muda e se anima, vive e se transforma,
Cambaleia e se esvai...
E da sala na mágica penumbra
Um mundo em trevas rápido se obumbra...
E outro das trevas sai...
Então... nos
brancos mantos, que arregaçam
Da meia-noite os Anjos alvos passam
Em longa procissão!
E eu murmuro ao fitá-los assombrado:
São os Anjos de amor de meu passado
Que desfilando vão...
Almas, que um
dia no meu peito ardente
Derramastes dos sonhos a semente,
Mulheres, que eu amei!
Anjos louros do céu! virgens serenas!
Madonas, Querubins ou Madalenas!
Surgi! aparecei!
Vinde,
fantasmas! Eu vos amo ainda;
Acorde-se a harmonia à noite infinda
Ao roto bandolim...
E no éter, que
em notas se perfuma,
As visões s'alteando uma por uma,
Vão desfilando assim! ...
1a. SOMBRA
MARIETA
Como o gênio
da noite, que desata
O véu de rendas sobre a espádua nua,
Ela solta os cabelos... Bate a lua
Nas alvas dobras de um lençol de prata...
O seio
virginal, que a mão recata,
Embalde o prende a mão... cresce, flutua...
Sonha a moça ao relento... Além na rua
Preludia um violão na serenata! ...
...Furtivos
passos morrem ao lajedo...
Resvala a escada do balcão discreta
Matam lábios os beijos em segredo...
Afoga-me os
suspiros, Marieta!
Ó surpresa! ó palor! ó pranto! ó medo!
Ai! noites de Romeu e Julieta! ...
2a. SOMBRA
BÁRBORA
Erguendo o cálix,
que o Xerez perfuma,
Loura a trança alastrando-lhe os joelhos,
Dentes níveos em lábios tão vermelhos,
Como boiando em purpurina escuma;
Um dorso de
Valquíria... alvo de bruma,
Pequenos pés sob infantis artelhos,
Olhos vivos, tão vivos como espelhos,
Mas como eles também sem chama alguma;
Garganta de um
palor alabastrino,
Que harmonias e músicas respira...
No lábio — um beijo... no beijar — um hino;
Harpa eólia a
esperar que o vento a fira,
— Um pedaço de mármore divino...
— É o retrato de Bárbora — a Hetaíra. —
3a. SOMBRA
ESTER
Vem! no teu
peito cálido e brilhante
O nardo oriental melhor transpira! ...
Enrola-te na longa cachemira,
Como as Judias moles do Levante.
Alva a clâmide
aos ventos — roçagante...
Túmido o lábio, onde o saltério gira...
Ó musa de Israel! pega da lira...
Canta os martírios de teu povo errante!
Mas não...
brisa da pátria além revoa,
E, ao delamber-lhe o braço de alabastro,
Falou-lhe de partir... e parte... e voa...
Qual nas algas
marinhas desce um astro...
Linda Ester! teu perfil se esvai... s'escoa...
Só me resta um perfume... um canto... um rastro...
4a. SOMBRA
FABÍOLA
Como teu riso dói...
como na treva
Os lêmures respondem no infinito:
Tens o aspecto do pássaro maldito,
Que em sânie de cadáveres se ceva!
Filho da noite!
A ventania leva
Um soluço de amor pungente, aflito...
Fabíola! É teu nome! ... Escuta... é um grito,
Que lacerante para os céus s'eleva! ...
E tu folgas,
Bacante dos amores,
E a orgia, que a mantilha te arregaça,
Enche a noite de horror, de mais horrores...
É sangue, que
referve-te na taça!
É sangue, que borrifa-te estas flores!
E êste sangue é meu sangue... é meu... Desgraça!
5a. e 6a.
SOMBRAS
CÂNDIDA E
LAURA
Como no tanque
de um palácio mago
Dois alvos cisnes na bacia lisa,
Como nas águas, que o barqueiro frisa,
Dois nenufares sobre o azul do lago,
Como nas hastes
em balouço vago
Dois lírios roxos, que acalenta a brisa,
Como um casal de juritis, que pisa
O mesmo ramo no amoroso afago...
Quais dois
planetas na cerúlea esfera,
Como os primeiros pâmpanos das vinhas,
Como os renovos nos ramais da hera,
Eu vos vejo
passar nas noites minhas,
Crianças, que trazeis-me a primavera...
Crianças, que lembrais-me as andorinhas! ...
7a. SOMBRA
DULCE
Se houvesse
ainda talismã bendito
Que desse ao pântano — a corrente pura,
Musgo — ao rochedo, festa — à sepultura,
Das águias negras — harmonia ao grito...
Se alguém
pudesse ao infeliz precito
Dar lugar no banquete da ventura...
E trocar-lhe o velar da insônia escura
No poema dos beijos — infinito...
Certo... serias
tu, donzela casta,
Quem me tomasse em meio do Calvário
A cruz de angústia, que o meu ser arrasta! ...
Mas se tudo
recusa-me o fadário,
Na hora de expirar, ó Dulce, basta
Morrer beijando a cruz de teu rosário! ...
8a. SOMBRA
ÚLTIMO
FANTASMA
Quem és tu,
quem és tu, vulto gracioso,
Que te elevas da noite na orvalhada?
Tens a face nas sombras mergulhada...
Sobre as névoas te libras vaporoso...
Baixas do céu
num vôo harmonioso! ...
Quem és tu, bela e branca desposada?
Da laranjeira em flor a flor nevada
Cerca-te a fronte, ó ser misterioso! ...
Onde nos vimos
nós? ... És doutra esfera?
És o ser que eu busquei do sul ao norte...
Por quem meu peito em sonhos desespera? ...
Quem és tu?
Quem és tu? — És minha sorte!
És talvez o ideal que est'alma espera!
És a glória talvez! Talvez a morte! ...
Santa
Isabel, agosto de 1870.
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