Amor em gotas

As gotas prateadas que do céu vertem, me chamam. Num gesto desmedido concedo meu corpo à chuva. Ela me concede asas...

Declina por minha face resvalando meu corpo e como um fluído invisível me penetra, lavando minha alma embriagada de sentimentos.

Uma ternura indefinível devolve-me o momento em que te vi. Através de teus olhos trouxeste-me um anjo, que me falou por tua voz. O céu fala pelo rumor da chuva.
Compreendi, então, a sensação de voar. Momento eterno...

Minha alma extasiada pela melodia da chuva, alada, desatada do corpo que responde agora ao frescor das gotas, te encontra. Deleita-se com teus beijos, acalenta-se em teu abraço.
O amor da alma prevalece sobre o desejo do corpo. E quem não o compreende o chama de ilusão...

Se deixasses nessa hora falar o meu olhar...se ouvisses o murmúrio do meu coração, entenderias a persistência de cada gota ao percorrer o extenso caminho, até que beije a grama.
Não terias medo do universo em teu coração.

Quase nem palavras me restam, para mostrar o que há em mim. Com que versos descrever esse amor, que vem de uma linguagem tão distante daqui ?! Como ilustrar que quem te amou foi meu coração ?!

Como a chuva que nasce silenciosamente no ventre da nuvem, nasceste comigo.
Eras um sonho, um segredo que hoje fez com que meu coração, recanto pequeno demais para abrigá-lo, compartilhasse com os céus.

Agora és o anúncio que meus olhos espalham...
Como a chuva prenuncia as dádivas da vida.

O estalar dos pingos explodindo no chão mistura-se as batidas do meu coração, que solitário, toma todo o som como saudade.
Não sei se o céu está chorando, ou se meu amor se purificando e libertando...

Fernanda C. Scialla